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Palmeiras espera faturar R$ 35 milhões vendendo zagueiro ao clube de Messi

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O Palmeiras está perto de transformar uma contratação que não funcionou esportivamente em uma operação capaz de devolver o dinheiro investido. A diretoria recebeu a sinalização de que o Inter Miami pretende exercer a opção de compra de Micael, zagueiro de 25 anos, por cerca de R$ 35 milhões.

O defensor está emprestado ao clube de Lionel Messi desde o começo de 2026. A transferência, entretanto, ainda não está concluída.
O contrato mantém Micael emprestado até o fim da temporada da Major League Soccer e concede ao Inter Miami o direito, mas não a obrigação, de comprá-lo.

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O desempenho que encaminhou o negócio

A informação mais recente é que o bom desempenho do brasileiro deixou a negociação bem encaminhada. Micael disputou 16 dos primeiros 17 jogos da equipe norte-americana no ano e marcou um gol.

A sequência é bem diferente daquela encontrada no Palmeiras. No clube alviverde, o defensor participou de 28 partidas, deu uma assistência e não conseguiu se consolidar entre os titulares.

O empréstimo, portanto, resolveu dois problemas ao mesmo tempo: tirou da folha um jogador sem espaço imediato e devolveu o zagueiro a um campeonato onde ele já havia mostrado bom futebol.

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Por que R$ 35 milhões não significam lucro cheio

O valor chama atenção porque é praticamente o mesmo desembolsado pelo Palmeiras para contratar Micael junto ao Houston Dynamo, em fevereiro de 2025. O zagueiro assinou contrato por cinco temporadas, até dezembro de 2029.

Dizer que o clube pretende faturar R$ 35 milhões está correto em relação à receita bruta. Isso não significa, porém, que toda a quantia será contabilizada como lucro.

Na comparação direta, o Palmeiras recuperaria nominalmente o dinheiro usado na aquisição. Salários, comissões, impostos e outros custos do negócio não aparecem nessa conta.

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O ganho contábil que pode surgir

O resultado nos balanços pode ser melhor do que a comparação simples sugere. O investimento na contratação de um jogador costuma ser amortizado ao longo do contrato.

Como parte do custo de Micael já foi reconhecida desde 2025, uma venda pelo mesmo valor da compra ainda pode produzir ganho contábil.

O número exato dependerá da forma como a operação foi registrada pelo Palmeiras e de eventuais parcelas variáveis acertadas com o Houston Dynamo. A transferência do brasileiro foi apresentada na época como a maior venda da história do clube norte-americano.

Do interior paulista ao Atlético-MG

Foto: Fabio Menotti/Palmeiras

Nascido em Presidente Prudente, Micael passou pelas categorias de base da Inter de Limeira e atuou pelo Independente de Limeira antes de chegar ao Atlético-MG, inicialmente por empréstimo, em 2019.

O Galo adquiriu o jogador em definitivo no ano seguinte. Micael integrou o elenco durante um dos períodos mais vitoriosos da história recente do clube, com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil em 2021, além dos estaduais de 2021 e 2022 e da Supercopa do Brasil de 2022.

As oportunidades na equipe principal, porém, foram limitadas. Em 2022, o defensor seguiu por empréstimo ao Houston Dynamo e começou a trajetória nos Estados Unidos.

A ascensão nos Estados Unidos

O brasileiro ganhou espaço, foi adquirido em definitivo e se tornou titular do time principal do Houston. Em duas temporadas, somou 80 partidas e três gols, conquistou a US Open Cup de 2023 e recebeu o prêmio interno de melhor defensor antes de retornar ao Brasil.

Canhoto, fisicamente forte e acostumado a defender com espaço às costas, Micael tinha um perfil que interessava à comissão de Abel Ferreira. O Palmeiras procurava um zagueiro capaz de atuar pelo lado esquerdo e iniciar as jogadas com o pé dominante.

A transferência também carregava um elemento emocional. Micael declarou ser palmeirense desde a infância e afirmou, na apresentação, que sempre quis defender o clube.

Por que não deu certo no Palmeiras

A contratação não chegou a ser um fracasso absoluto, mas ficou distante do retorno imaginado para um investimento de R$ 35 milhões. Micael disputou Paulista, Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes, mas não conquistou vaga permanente.

Foram 28 partidas e uma assistência em 2025. O defensor oscilou nas oportunidades, não marcou gols e terminou a temporada atrás de outros jogadores na hierarquia da posição.

A concorrência pesou. O elenco alviverde tinha zagueiros mais adaptados ao sistema de Abel Ferreira, enquanto Micael precisava justificar rapidamente o alto valor pago por sua contratação.

Quanto o zagueiro vale hoje

O valor de mercado mais recente atribuído a Micael pelo Transfermarkt é de € 4 milhões, avaliação atualizada em 2 de junho de 2026. Com o euro perto de R$ 5,84, a estimativa equivale a cerca de R$ 23,4 milhões.

A opção de compra de R$ 35 milhões está, assim, cerca de R$ 11,6 milhões acima dessa referência, uma diferença próxima de 50%. A cotação do Transfermarkt não é uma avaliação oficial nem determina o preço da negociação, mas funciona como indicador público baseado em idade, desempenho, contrato e posição.

Ainda assim, a comparação favorece o Palmeiras. Caso o Inter Miami pague os R$ 35 milhões, o Verdão venderá o defensor por valor bem superior à avaliação pública atual.

Por que o Inter Miami pagaria acima da avaliação

Micael oferece características que costumam encarecer um zagueiro. Ele tem 25 anos, é canhoto, conhece a MLS e não precisa passar por longa adaptação ao país ou ao campeonato.

Há ainda um fator objetivo: o jogador já está integrado ao time. Em vez de investir em uma contratação desconhecida, o Inter Miami pode manter um defensor que se tornou titular e foi usado em quase todas as partidas da temporada.

O contrato longo com o Palmeiras também fortalece a posição alviverde. O clube não precisa aceitar proposta reduzida para evitar perder o jogador de graça. Se a opção não for exercida, Micael ainda poderá ser oferecido a outros mercados ou reintegrado ao elenco. No fim, uma contratação que não vingou dentro de campo pode se encerrar como um negócio equilibrado nos números, algo raro quando um reforço caro não corresponde à expectativa esportiva.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.