Onze jogadores fora. Esse número, isolado, já diz bastante. Mas o que torna a situação do Palmeiras ainda mais reveladora é o motivo por trás de cada ausência, e o que isso significa para um clube que chegou onde chegou.
Amanhã, às 16h, o Verdão recebe a Chapecoense no Nubank Parque (antigo Allianz) com um elenco que Abel Ferreira precisou montar quase do zero. Sete convocados por suas seleções, três suspensos e um jogador em recuperação de lesão. Onze baixas num único jogo.
Não é colapso. É o preço de ser grande.
Os sete que estão no mundo

A lista de convocados diz muito sobre o nível do elenco palmeirense. Flaco López defende a Argentina. Jhon Arias está com a Colômbia. Gustavo Gómez, Mauricio e Ramón Sosa representam o Paraguai. Emiliano Martínez e Piquerez (se recuperando de lesão) estão a serviço do Uruguai.
Dessa forma, sete jogadores em sete seleções diferentes, espalhados por compromissos que o clube não controla e não pode questionar. Nenhum time chega a esse volume de convocados por acidente, é resultado de anos construindo um elenco com qualidade internacional real.
O problema é que a data FIFA não escolhe hora. E o Brasileirão não para.
Os três que cumprem suspensão
Carlos Miguel, Andreas Pereira e Giay chegam à lista por outro caminho: disciplinar. Os três cumprem suspensão e ficam fora do jogo contra a Chapecoense.
Andreas Pereira, em especial, é uma ausência que pesa. O meia é peça central no esquema de Abel, responsável por parte importante da criação do time. Sem ele, o Palmeiras perde fluidez no meio e precisa encontrar outro caminho para chegar ao ataque.
Carlos Miguel e Giay também deixam lacunas, o goleiro titular e um jogador de frente que vinha ganhando espaço. Três suspensões simultâneas, somadas às sete convocações, transformam o jogo de amanhã num desafio de gestão tanto quanto de futebol.
Vitor Roque fora por lesão

O décimo primeiro nome da lista chega por um motivo diferente. Vitor Roque segue em recuperação de lesão e não estará disponível. O atacante, que veio com expectativa alta e ainda busca consistência no clube, perde mais um jogo num processo que já se arrasta.
Para Abel, a ausência de Vitor Roque fecha mais uma opção ofensiva num dia em que as alternativas já são escassas.
O que Abel tem para trabalhar

Com tantos fora, o Palmeiras que entra em campo amanhã vai ser diferente do que Abel prefere escalar. Isso não é necessariamente catastrófico, o elenco tem profundidade, mas exige que jogadores menos rodados assumam responsabilidade num jogo que, no papel, o Verdão precisa vencer.
Sendo assim, a Chapecoense não é a adversária que o Palmeiras possa subestimar nesse contexto. Um time com menos pressão, jogando contra um Verdão incompleto, tem condições reais de complicar. Esse adversário é inconfortável exatamente porque não tem nada a perder.
Na leitura do Moon BH, o jogo de amanhã vai revelar algo importante: o quanto o elenco palmeirense consegue manter padrão sem seus titulares. Abel vem construindo um grupo com camadas, mas a prova real sempre aparece quando os melhores não estão.
O paradoxo que ninguém reclama em voz alta
Ter sete jogadores convocados é motivo de orgulho. É sinal de que o Palmeiras formou, contratou ou desenvolveu atletas bons o suficiente para defender suas seleções. Poucos clubes no Brasil chegam a esse número numa única data FIFA.
Mas orgulho não entra em campo. E o Brasileirão pontua da mesma forma independente de quantos titulares estão disponíveis.
Esse é o dilema silencioso dos grandes clubes: quanto mais crescem, mais cedem. E o calendário não tem piedade.
Amanhã, às 16h, no Nubank Parque, Abel Ferreira vai precisar de respostas de quem raramente é perguntado. Às vezes, é nesses jogos que surgem as surpresas mais interessantes da temporada.


