O Palmeiras venceu, assumiu a liderança isolada do seu grupo na Libertadores, mas saiu do Peru com um recado direto e sem filtros do capitão Gustavo Gómez. O zagueiro não tentou maquiar a performance da equipe e colocou o dedo na ferida: o padrão de excelência criado nos últimos anos tornou qualquer oscilação mínima um motivo para ruído externo.
“Acho que internamente sabemos que temos que melhorar algumas coisas, manter outras também, por isso estamos líderes do Brasileirão, fomos campeões do Paulista, somos líderes do grupo na Libertadores. O sarrafo nos últimos anos foi muito alto, é o preço que tem que pagar”, disse o jogador.
O peso da liderança e a consciência do vestiário
Mesmo após o triunfo por 2 a 0 sobre o Sporting Cristal, em Lima, Gómez admitiu que o grupo precisa corrigir falhas para manter a hegemonia. O capitão destacou que o “sarrafo alto” estabelecido pela era Abel Ferreira é o preço que o clube paga pela consistência de títulos recentes, como o Paulistão e a liderança atual do Brasileirão.
O momento alviverde é de solidez nos números, mas de busca por identidade na intensidade:
- Status atual: Líder do Grupo F da Libertadores (8 pontos), líder do Brasileirão e campeão paulista.
- A cobrança: O vestiário reage aos empates recentes contra Santos e Cerro Porteño, onde o time produziu, mas não convenceu em competitividade.
- Resposta em campo: A vitória no Peru devolveu ao Verdão o topo da chave, superando o próprio Sporting Cristal (6 pontos) e o Cerro Porteño (4 pontos).
Eficiência: Flaco López e Sosa resolvem o jogo
A vitória em solo peruano teve como pilar a eficiência ofensiva que vinha sendo questionada. O Palmeiras, que muitas vezes pecava no volume sem gols, desta vez foi letal.

A construção da vitória passou por nomes estratégicos:
- Oportunismo: José “Flaco” López abriu o placar aos 32 minutos do primeiro tempo, em lance de pura presença de área.
- Assistência de peso: O gol de López contou com passe decisivo de Jhon Arias, consolidando o entrosamento do setor.
- Golpe de misericórdia: Ramón Sosa ampliou logo aos 5 minutos da etapa final, matando qualquer tentativa de reação dos donos da casa.
Apesar do controle, o time acendeu um sinal de alerta na disciplina. Gustavo Gómez e Agustín Giay foram amarelados, um detalhe que o próprio elenco reconhece que pode custar caro em fases eliminatórias de mata-mata.
O “sarrafo alto” como o adversário mais difícil
A fala de Gómez revela que o maior desafio do Palmeiras hoje não é o rival de campo, mas a própria régua de desempenho. Sob o comando de Abel Ferreira, o clube atingiu um nível onde a vitória simples já não satisfaz a torcida; exige-se repertório, controle total e intensidade.
A vitória em Lima não encerra o debate sobre o futebol praticado, mas prova que o vestiário não está anestesiado pelas taças na galeria. O Palmeiras mostrou maturidade para gerir o placar e utilizar o banco de reservas — com as entradas de Felipe Anderson, Paulinho e Emiliano Martínez — sem perder a estrutura defensiva.


