A venda de Endrick não acabou quando o atacante embarcou para a Europa. Ela continua ativa no balanço do Palmeiras — e acaba de render mais 75 mil euros, cerca de R$ 485 mil, graças a uma cláusula contratual ativada em dezembro de 2025. O Verdão vai receber o valor agora porque os bônus são pagos 30 dias após o fim de cada temporada.
O motivo do pagamento diz muito sobre a sofisticação da operação: não basta Endrick entrar em campo. Para valer o bônus, o atacante precisa ser titular e permanecer por ao menos 45 minutos na mesma partida. As duas condições foram cumpridas no jogo contra o Talavera CF, antes do empréstimo ao Lyon. Meta batida, bônus liberado.
A engrenagem que não para
Esse é apenas um dos mecanismos do contrato. O Palmeiras também recebe 35 mil euros por gol, assistência ou pênalti sofrido por Endrick no Real Madrid. Há ainda bônus maiores atrelados a títulos e premiações individuais — LaLiga, Champions League, Golden Boy, Kopa, Bola de Ouro e The Best —, com teto de 12,5 milhões de euros válido até 2030.
No acumulado, o clube já contabilizou 245 mil euros por ações ofensivas e 675 mil euros por partidas como titular por ao menos 45 minutos. O novo bônus é mais uma peça dessa engrenagem — e está longe de ser a última.
Mais de R$ 200 milhões contabilizados no Palmeiras
O tamanho histórico da operação aparece nos números declarados pelo próprio clube: R$ 23 milhões recebidos em 2023, R$ 173,2 milhões em 2024 e R$ 3,38 milhões líquidos em 2025. Com os R$ 485 mil previstos para 2026, a operação já ultrapassa R$ 200 milhões contabilizados ou pendentes de entrada — e ainda carrega potencial relevante até 2030.
O teto total da negociação, considerando valor fixo, bônus e impostos, pode chegar a 72 milhões de euros — o que faz da venda de Endrick a maior de um jogador brasileiro em reais no momento do acordo.
O empréstimo ao Lyon freia, mas não trava
Com Endrick atuando pelo Lyon e não pelo Real Madrid, as cláusulas ligadas a gols, jogos e títulos do clube espanhol ficam temporariamente menos acessíveis. O que segue ativo são os bônus de premiações individuais — que independem de onde o atacante está jogando.
Ou seja: o ritmo de entrada diminui, mas a torneira não fecha.
Para entender a proporção do bônus
Os R$ 485 mil parecem modestos diante do todo — mas a comparação ajuda a dimensionar: segundo apuração da Itatiaia, o América-MG gasta entre R$ 1,8 milhão e R$ 2 milhões por mês em salários. O bônus de uma única cláusula de Endrick equivale a mais de um quarto da folha mensal do Coelho.
É dinheiro de contrato que, sozinho, já conversa com a realidade operacional de um clube grande.