O torcedor que olha para Wendel e pergunta “vai vir ou não vai?” precisa, antes, entender uma trava básica do calendário. Hoje, o Palmeiras até pode monitorar o volante do Zenit, mas não tem como registrar um reforço vindo do exterior agora. A primeira janela de 2026 já foi encerrada em 3 de março, e a segunda só abre em 20 de julho, indo até 11 de setembro. Ou seja: se houver investida real, ela naturalmente fica para o meio do ano.
A espera não parece ser só estratégia de mercado. É também uma questão prática. O clube não teria como transformar interesse em reforço imediato neste momento, ainda que o nome agrade internamente.
O que faz o Palmeiras segurar a decisão agora
A Data Fifa abriu uma pausa rara no calendário do Palmeiras.
E essa pausa está sendo usada para duas coisas: controlar o desgaste físico do elenco e planejar a sequência que começa em abril, com Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil ao mesmo tempo. O clube chega a esse período com vários atletas entre os mais usados do ano, e parte deles foi chamada por suas seleções.
No recorte atual, o Palmeiras teve oito convocados: Flaco López e Giay pela Argentina, Arias pela Colômbia, Gustavo Gómez, Ramón Sosa e Maurício pelo Paraguai, além de Piquerez e Emiliano Martínez pelo Uruguai. Isso esvazia setores importantes e obriga a comissão a recalibrar a gestão de elenco.
É aí que o meio-campo entra de vez na história.
Maurício e Emiliano Martínez, por exemplo, estão fora com suas seleções. E o clube já vinha tratando o desgaste como ponto central antes da nova maratona. Nesse cenário, faz sentido que Abel e a diretoria usem a pausa para observar melhor o comportamento do setor antes de bater o martelo sobre um investimento pesado em julho.
Wendel segue caro — e julho é a janela da decisão
Wendel continua no Zenit, com contrato até 30 de junho de 2029. No Transfermarkt, aparece com valor de mercado de € 15 milhões. Isso, sozinho, já mostra que não se trata de uma oportunidade barata de mercado.
Além disso, o histórico recente ajuda a entender por que o Palmeiras não se move no impulso.
Reportagens recentes colocaram o volante novamente no radar alviverde e apontaram que qualquer chegada seria pensada para o segundo semestre, justamente pela reabertura da janela internacional. Em paralelo, o Zenit trabalha com patamares altos para negociar seus brasileiros.
Por isso, a leitura mais honesta hoje é esta: o Palmeiras não abandonou a ideia, mas também não parece disposto a atropelar o processo.
O clube ganhou tempo. E vai usar esse tempo para entender se a carência no meio-campo é conjuntural, por causa da sequência e das convocações, ou estrutural a ponto de justificar uma ofensiva mais pesada em julho.
O sonho antigo ainda cabe no bolso palmeirense?
Cabe sonhar, porque o Palmeiras tem musculatura financeira.
As contas de 2025 foram aprovadas com receita recorde de R$ 1,78 bilhão e superávit de R$ 292,3 milhões, números que ajudam a explicar por que o clube conseguiu bancar operações grandes recentemente. Ao mesmo tempo, a dívida cresceu, o que impõe mais critério em negociações de alto valor.
Em outras palavras: o Palmeiras pode olhar para Wendel, mas não precisa agir por ansiedade.
Se a avaliação interna mostrar que o setor precisa de um camisa 8 mais pronto para a segunda metade do ano, julho vira a hora da decisão. Se Abel entender que consegue sustentar o meio com o que já tem, o nome pode seguir apenas como sonho antigo de mercado.