O Palmeiras abriu o balanço e expôs uma cláusula rara no futebol brasileiro: parte dos títulos de Abel Ferreira ainda gera pagamento ao PAOK, ex-clube do técnico. O saldo que ficou para 2026 é de R$ 323 mil, valor ligado a bônus previstos no acordo firmado quando o português trocou a Grécia pelo Verdão, em 2020.
Segundo o detalhamento publicado nesta terça, a multa rescisória tinha uma parte fixa e outra variável, ativada conforme o sucesso esportivo do treinador.
Esse detalhe ajuda a transformar uma curiosidade em leitura de negócio. O Palmeiras não paga ao PAOK simplesmente por ter contratado Abel. Paga porque ele venceu. É uma lógica de risco compartilhado: o clube comprador desembolsa mais apenas se a aposta der certo. E, no caso alviverde, deu muito certo. Abel já soma 11 títulos no comando da equipe e é o técnico mais vencedor da história do Palmeiras.
Como funciona a cláusula “ganha-ganha” com o clube grego
A engenharia contratual foi montada lá atrás, quando o PAOK endureceu a saída do treinador. Para viabilizar o negócio, o Palmeiras aceitou uma parcela variável atrelada a conquistas, e o próprio Abel também assumiu parte desse compromisso, como ele mesmo já havia revelado.
O balanço de 2025 mostra que uma parte desses bônus foi paga no ano passado, e o que restou para 2026 é justamente esse saldo de R$ 323 mil. O pagamento atrasou antes porque faltava documentação do lado grego.
É aí que entra a pergunta que o torcedor realmente faz: quanto custa cada taça? Pelo balanço, não existe um valor oficial aberto por troféu. Mas dá para fazer uma leitura conservadora. Se alguém dividir apenas o saldo remanescente de R$ 323 mil pelos 11 títulos da era Abel, o número fica em algo perto de R$ 29 mil por conquista.
Esse cálculo, porém, olha só para o que falta pagar agora. Como parte já foi quitada em 2025 e Abel também arca com uma fração, o custo histórico por taça é um pouco maior do que isso.
Mesmo com bônus, a conta fecha com enorme folga no Palmeiras
Do ponto de vista financeiro, a cláusula não machuca o Palmeiras. Machuca ainda menos quando comparada às premiações do futebol sul-americano e brasileiro.
A Conmebol anunciou que o campeão da Libertadores de 2026 receberá US$ 25 milhões, cerca de R$ 131 milhões apenas pelo título. Somando as fases anteriores, a campanha completa pode passar de US$ 40 milhões, algo perto de R$ 210 milhões. Ou seja: o saldo de R$ 323 mil devido ao PAOK representa menos de 0,25% da premiação bruta só pelo título continental.
No mercado interno, a CBF definiu R$ 78 milhões para o campeão da Copa do Brasil de 2026. Também aqui a diferença é brutal. O bônus pendente ao PAOK equivale a pouco mais de 0,4% dessa premiação final. Em linguagem de gestão, é um custo de sucesso extremamente baixo para um treinador que entregou retorno esportivo, valorização de elenco, bilheteria, premiações e fortalecimento de marca.