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Palmeiras planeja venda milionária e põe multa de € 100 milhões em nova joia

O Palmeiras gastou € 750 mil para contratar Koné Zié. Depois, colocou uma multa rescisória internacional de € 100 milhões no contrato do zagueiro. A equação não é contraditória — é estratégica. E quem acompanha o clube já viu esse filme antes.

O jornalista Jorge Nicola tem apontado o defensor marfinense como “potencial grande venda” no médio prazo, usando o mesmo vocabulário que cercou Vitor Reis antes da transferência ao Manchester City por cerca de € 37 milhões — a maior venda de um zagueiro da história do futebol brasileiro.

Quem é o garoto de 18 anos que virou aposta do Verdão

Koné Zié Mohamed nasceu na Costa do Marfim, foi descoberto em torneio no continente africano e chegou ao Palmeiras por um caminho incomum. Por exigências regulatórias ligadas à transferência internacional de menores, só pôde assinar o primeiro contrato profissional em novembro de 2025, ao completar 18 anos. O vínculo vai até setembro de 2028.

Nos bastidores da captação, o relato é de impacto imediato. O olheiro que o acompanhou descreveu um zagueiro que lê o jogo, organiza a linha e tem repertório de passe — além de perfil físico de elite: 1,93m, canhoto, com características raras para a posição. O coordenador João Paulo Sampaio confirmou que a impressão interna foi tão forte que Koné virou pauta recorrente de acompanhamento técnico desde os primeiros testes.

Do Sub-20 para o elenco de Abel em semanas

O salto foi rápido. Em janeiro de 2026, o Palmeiras registrou Koné no BID e o inscreveu na lista A do Campeonato Paulista, abrindo a possibilidade de utilização imediata no estadual. Para um zagueiro recém-profissional vindo da base, entrar no circuito do elenco principal logo no início da temporada é um sinal claro de que o clube não está apenas apostando no futuro — está testando o presente.

Por que a multa de € 100 milhões não é exagero — é instrumento

Cláusula rescisória astronômica em jogador jovem não é precificação realista de saída imediata. É uma ferramenta de controle. Com esse número no contrato, o Palmeiras consegue três coisas ao mesmo tempo: segurar a primeira onda de assédio europeu, forçar negociações em patamares altos quando a hora chegar e controlar o timing da venda — só quando o jogador estiver validado em competições de nível.

Jogador Koné Zié com cara de felicidade e confiança
Foto: Flickr do Palmeiras

O precedente de Vitor Reis recalibrou esse mercado. Depois de vender um zagueiro para o Manchester City por cifras acima de € 35 milhões, o Palmeiras sabe que pode usar o mesmo manual — e Koné Zié, aos olhos do clube, reúne os ingredientes para repetir o ciclo.

O que precisa acontecer para a valorização se concretizar

Hype não valoriza zagueiro no mercado europeu. O que move o scouting do Velho Continente é minutagem competitiva de qualidade: jogos de mata-mata, clássicos, pressão real, saída de bola limpa e consistência física em duelos. O Palmeiras já deu o primeiro passo ao colocá-lo no radar do profissional. O restante depende de Abel Ferreira — e de quanto espaço o garoto conseguir ocupar ao longo de 2026.

Se confirmar o que a base enxerga, o Palmeiras pode estar diante de mais um caso em que € 750 mil viram dezenas de milhões. A multa de € 100 milhões já diz, em linguagem de mercado, o que o clube pensa sobre esse desfecho.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.