A torcida do Palmeiras ainda comemora a chegada iminente de Jhon Arias por R$ 155 milhões, mas Abel Ferreira tratou de colocar os pingos nos “is”. Em uma declaração forte e calculada, o treinador fez questão de se distanciar da responsabilidade pela contratação do colombiano, rotulando o reforço como uma “aposta da presidente”.
O português traçou uma linha clara entre o que é “trabalho do scout/técnico” e o que é “desejo da diretoria”, jogando a pressão do investimento milionário inteiramente no colo de Leila Pereira.
Abel no Palmeiras: “A Minha Lista” vs. “A Lista Dela”
Abel não deixou margem para dúvidas. Ele listou nominalmente quem são os jogadores que ele e o departamento de futebol garimparam, diferenciando-os das estrelas midiáticas trazidas (ou tentadas) pela mandatária. “Contratações do scout, do Abel e do Barros são o Flaco López, o Richard Ríos, o Murilo“, disparou o técnico.
Em contrapartida, ele colocou o novo reforço em outra prateleira: “Agora, jogadores do nível do Vitor Roque, do Andreas (Pereira) e, agora, o Arias, é contratação da presidente.”
“Só é Reforço Quando Jogar”

Além de tirar o corpo fora sobre a escolha do nome, Abel mandou um recado sobre a utilidade prática do atleta. Para ele, anúncio e valores não ganham jogo. “Os jogadores são reforços quando jogarem. Se o clube anunciou, é ótimo… Mas quero vê-los disponíveis e em campo. Aí, sim, são reforços. Até lá jogamos com o que temos.”
A fala soa como uma cobrança pública: não basta gastar R$ 150 milhões; o jogador tem que chegar, vestir a camisa e resolver, sem “burocracia” ou tempo de adaptação, já que não foi uma peça moldada pelo scout para o sistema dele.
Abel Ferreira é mestre na gestão de expectativas. Ao chamar Arias de “jogador da presidente”, ele faz dois movimentos estratégicos:
- Protege o Elenco Atual: Ele valoriza os “operários” que ele pediu (Ríos, Murilo, Flaco), reforçando que seu time é feito de suor e scout, não só de grife.
- Tira o Alvo das Costas: Se Arias chegar e demorar a engrenar, ou se o time oscilar com a mudança tática, Abel já tem o álibi: “Não fui eu que pedi, foi a presidente que trouxe”.
É um jogo de xadrez. Abel reconhece o esforço financeiro (“estão fazendo um esforço grande”), mas deixa claro que a responsabilidade pelo sucesso de uma contratação desse tamanho é de quem assina o cheque. Para Leila, fica o aviso: o “presente” é ótimo, mas se não funcionar em campo, a culpa não será do treinador.