O Palmeiras foi vítima de um colapso financeiro gigantesco. O clube anunciou nesta segunda-feira (2) a rescisão imediata do contrato de patrocínio com o grupo Fictor, após a empresa entrar com pedido de Recuperação Judicial declarando dívidas de mais de R$ 4,2 bilhões. O rompimento expõe um buraco no uniforme e no caixa: a Fictor deixou de pagar parcelas do acordo e bônus de performance. Agora, o Verdão entra na fila da Justiça como credor, sem garantia de quando (ou se) verá a cor do dinheiro.
O Contrato de R$ 90 Milhões que Virou Pó
O acordo, assinado em março de 2025, era robusto no papel: R$ 30 milhões por temporada (R$ 25 mi fixos + R$ 5 mi em metas). A Fictor ocupava espaços nobres:
- Costas: Time profissional (masculino e feminino).
- Máster: Categorias de base (onde casas de apostas são proibidas).
Em menos de um ano, o parceiro quebrou. O Palmeiras perde a receita recorrente e agora corre contra o tempo para tapar o buraco na camisa, especialmente na base, onde a restrição de publicidade torna a venda mais difícil.
A Polêmica: O Palmeiras Sabia?
O que torna o caso explosivo nos bastidores é a informação de que a tragédia era anunciada. Segundo apurações da imprensa (Danilo Lavieri), o Palmeiras teria recebido alertas de mercado sobre a saúde financeira e a reputação da Fictor antes de assinar o contrato. Mesmo assim, a diretoria seguiu adiante. Agora, com a empresa em Recuperação Judicial, o clube terá que explicar internamente por que ignorou as bandeiras vermelhas de compliance.
Fila de Credores: O Drama para Receber
Rescindir foi a parte fácil. Receber o atrasado será o pesadelo. Com o pedido de RJ aceito, a dívida do Palmeiras entra no bolo dos credores “comuns” (quirografários). Isso significa que o clube entra numa fila que pode levar anos para andar, dependendo da aprovação de um plano de pagamento que, muitas vezes, prevê descontos agressivos (o famoso deságio).
O caso Fictor expõe um dilema clássico do futebol moderno: na corrida por receitas recordes para mostrar balanços bonitos, o risco de crédito vira risco esportivo.