O sonho de ver Thiago Almada com a camisa do Palmeiras em 2026 acabou, e não foi por falta de dinheiro na mesa. Foi por um motivo que dói mais no orgulho do torcedor brasileiro do que no bolso: o jogador simplesmente não quis vir. Ao declarar publicamente que seguirá no Atlético de Madrid, o argentino expôs a ferida aberta do mercado palmeirense nesta janela: o clube tem caixa, tem projeto, mas perdeu o timing e o poder de sedução para competir com a Europa.
O caso Almada é o sintoma, não a doença. O Verdão vive um dilema estratégico. A diretoria aprovou um orçamento bilionário, mas amarrou as próprias mãos com metas financeiras agressivas e um modelo de “cirurgia” que, muitas vezes, mata o paciente (a contratação) na mesa de operação pela demora.
1. O Teto da Ambição: Almada escolheu a Glória, não o Dinheiro
O Palmeiras operou no limite, mas esbarrou na vontade do atleta. Almada é jovem, campeão do mundo e quer provar seu valor a Diego Simeone.
- A Lição: Trazer um jogador desse perfil da Europa exige que ele esteja infeliz ou em baixa. Almada não está. O Palmeiras tentou “comprar” um sonho que não estava à venda. Isso mostra que, em 2026, o Brasil ainda é plano B para quem tem mercado na elite.
2. A Algema de R$ 399,6 Milhões

O torcedor vê a receita de R$ 1,2 bilhão e pede reforços. O diretor vê a meta de R$ 399,6 milhões em vendas e pisa no freio. O Palmeiras entrou no modo “vender para comprar”. Antes de trazer um peso-pesado, o clube precisa desovar ativos (como as negociações de Luighi e Facundo Torres).
- O Problema: Esse modelo tira a agilidade. Enquanto Barros tenta vender o “jogador X” para abrir espaço na folha e no caixa, o “reforço Y” (como Jhon Arias, vendido para a Inglaterra por € 22 milhões) fecha com outro time. O Palmeiras quer ser cirúrgico num mercado que exige velocidade de leilão.
3. O Medo do “Novo Borja”
A gestão Leila Pereira/Anderson Barros tem trauma de contratações caras que não rendem. O clube foge de leilões e pacotes de “salário europeu + luvas milionárias” sem garantia de encaixe. Isso é responsabilidade financeira? Sim. Mas também é uma trava esportiva. Jogadores que chegam para resolver (nível Almada ou Arias) custam caro e exigem riscos. Ao evitar o risco, o Palmeiras acaba ficando com as opções “nota 7”, enquanto o time precisa de um “nota 10”.