O departamento financeiro do Palmeiras pode celebrar em breve a entrada de uma receita extraordinária sem precisar se desfazer de nenhum jogador do atual elenco de Abel Ferreira. O motivo é a iminente venda do meia Jhon Jhon, do Red Bull Bragantino, para o Zenit, da Rússia. A operação, que está sendo costurada nos bastidores, gira em torno de € 20 milhões (cerca de R$ 125 milhões).
Como o Verdão manteve uma estratégia inteligente de preservar percentuais de seus ativos negociados, o clube tem direito a 20% dessa montanha de dinheiro. Na prática, isso significa que cerca de R$ 25 milhões devem cair na conta alviverde apenas pelo repasse da fatia econômica, transformando uma negociação de terceiros em um reforço de caixa direto para a Academia de Futebol.
A oferta russa foi inicialmente de € 18 milhões fixos com mais € 2 milhões em bônus, mas o Bragantino trabalha para garantir os € 20 milhões garantidos. Independentemente do formato final, a matemática é extremamente favorável ao Palmeiras.
Quando negociou a Cria da Academia com o time de Bragança Paulista em 2024, a diretoria palestrina vendeu a maior parte dos direitos, mas assegurou a manutenção de 20% pensando exatamente neste cenário: uma revenda para o mercado europeu, onde os valores são inflacionados e o retorno é em moeda forte.
A Matemática dos R$ 25 Milhões no Palmeiras
Para o torcedor entender o impacto no orçamento, a conta é simples e direta. Se o negócio for fechado pelo teto de R$ 125 milhões:
- A Fatia: O Palmeiras detém 20% (ou um quinto) do valor total.
- O Cálculo: R$ 125.000.000 x 0,20 = R$ 25.000.000. Esse valor entra limpo como receita de transferência, sem os custos operacionais de uma venda direta (como comissões de empresários que geralmente o clube vendedor absorve). É dinheiro novo para, por exemplo, pagar salários de um mês inteiro do elenco ou amortizar dívidas.
A Estratégia de “Venda Parcelada”
O caso de Jhon Jhon valida a política de mercado recente do Palmeiras. Em vez de vender 100% de seus jovens por um valor fixo, o clube prefere vender uma parte e seguir sócio do atleta. Foi assim que a negociação foi amarrada em 2024:
- Venda inicial de 60%;
- Obrigação de compra de mais 20% pelo Bragantino;
- Manutenção estratégica dos 20% finais. Essa “engenharia” permite que o Palmeiras lucre duas vezes com o mesmo jogador: primeiro na saída para o mercado interno e, depois, na valorização para o mercado externo.