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Palmeiras faz oferta final de R$ 75 milhões por Nino em meio à tensão de guerra

O Palmeiras decidiu jogar sua última cartada para fechar a defesa com um nome de peso ainda nesta janela. A diretoria alviverde trata o zagueiro Nino como o “Plano A” absoluto e intensificou os contatos com o Zenit, da Rússia, para tentar destravar a negociação. O cenário, contudo, é de alta complexidade: embora já exista um alinhamento pessoal com o jogador e a aprovação total de Abel Ferreira, o clube russo fixou uma barreira financeira rígida.

Segundo a ESPN, o Zenit só aceita abrir conversa pelo “preço certo”, estipulado em € 12 milhões (cerca de R$ 75 milhões). Além dos valores, a operação ganha contornos dramáticos devido ao pano de fundo geopolítico: negociar com a Rússia em 2026 envolve driblar sanções, restrições bancárias e um isolamento esportivo que muda a lógica de venda dos europeus do leste.

Para o Verdão, não se trata apenas de uma contratação, mas de uma resposta a uma carência imediata. Com a saída de Micael para o Inter Miami, o elenco ficou com opções contadas na zaga (Gómez, Murilo, Fuchs e Benedetti). Abel Ferreira exige um defensor pronto, capaz de atuar em linha alta e assumir a titularidade sem oscilações, perfil que Nino preenche com sobras.

O problema é que o desejo palmeirense colide com a frieza russa: o Zenit não tem pressa, não precisa vender para “fazer caixa” em competições da UEFA (das quais está banido) e sabe que tem um ativo valioso protegido por contrato.

O Fator Geopolítico: Sanções e Burocracia

Negociar com clubes russos hoje é uma “operação de risco”. O contexto da guerra na Ucrânia e o isolamento do futebol russo criaram um ambiente de incerteza jurídica e financeira.

  • O Banimento: Sem Champions League ou Liga Europa, o Zenit foca totalmente no mercado interno. Isso tira a pressão de vender jogadores para equilibrar contas de Fair Play Financeiro da UEFA. Eles podem se dar ao luxo de pedir alto.
  • Regra da FIFA: A extensão das regras excepcionais da FIFA (Anexo 7) até junho de 2026 permite que estrangeiros suspendam contratos sob certas condições. Isso cria um clima tenso: o Zenit prefere vender bem a correr riscos jurídicos, mas também usa isso para endurecer o jogo, mostrando que não vai liberar ninguém “de graça”.
  • O Pagamento: Mesmo se o Palmeiras aceitar pagar os R$ 75 milhões, a engenharia financeira é complexa. Sanções bancárias exigem rotas de pagamento específicas e compliance rigoroso para evitar bloqueios internacionais.

A Necessidade de Abel no Palmeiras vs. A Frieza Russa

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O Palmeiras tem pressa; o Zenit tem o tempo. Essa assimetria é o maior obstáculo. Abel Ferreira quer a zaga fechada agora, no início da temporada, para entrosar o time visando o Paulista e a Libertadores. O Zenit, por sua vez, está no meio de sua temporada (com a pausa de inverno) e não tem incentivo esportivo para desfalcar o time titular a menos que a oferta seja irrecusável.

A postura dos russos de “só sai pelo valor da multa ou perto disso” é uma estratégia de quem detém o poder da caneta. Se o Palmeiras não chegar nos € 12 milhões, a tendência é que o negócio só volte à pauta na janela de verão europeu (junho), o que seria tarde demais para o planejamento inicial do Verdão.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.