O técnico Luís Castro não tentou maquiar o desastre tático do Grêmio no Uruguai. Após a dura derrota para o Montevideo City Torque, na estreia da fase de grupos da Copa Sul-Americana, o comandante português foi implacável e classificou a atuação tricolor como o “pior jogo da temporada”. Mais do que lamentar os pontos perdidos fora de casa, a avaliação pública escancarou um diagnóstico preocupante de bastidores: na visão do treinador, a equipe estagnou completamente e não apresentou evolução tática ou anímica desde a conquista do Gauchão.
A declaração frontal transforma o que poderia ser interpretado como um simples tropeço isolado em um alerta de crise de desempenho, colocando a postura do elenco e o planejamento imediato sob forte revisão.
O fim do “colchão de segurança” do título estadual
No ecossistema do futebol brasileiro, levantar a taça do campeonato regional costuma comprar tempo, tranquilidade e paciência da torcida. No Grêmio de Luís Castro, o efeito parece ter sido exatamente o oposto. A entrevista sugeriu que o título gerou acomodação. O time que estreou no Uruguai mostrou-se engessado, incapaz de competir fisicamente em alto nível e esvaziado de respostas coletivas para furar o bloqueio adversário.
O treinador não permitiu que o revés fosse tratado como um acidente de percurso geográfico. A leitura interna aponta para um problema crônico e crescente de oscilação, consolidado por uma sequência recente que já acendia alertas vermelhos:

- Perda de tração na Série A: A derrota no Brasileirão para o Palmeiras evidenciou a dificuldade em manter a intensidade contra rivais diretos.
- Queda de produtividade: O surpreendente empate com o Remo sinalizou problemas graves na criação e na conclusão das jogadas.
- Apatia continental: A postura diante do City Torque confirmou a ausência do espírito “copeiro” exigido historicamente para torneios internacionais.
Ao afirmar publicamente que não houve um passo adiante, o técnico enviou um recado duplo: cobrou o comodismo dos jogadores e avisou à diretoria que a Sul-Americana não poderá ser tratada apenas como um laboratório secundário.
O calendário esmaga e o Gre-Nal vira prova de fogo
O mês de abril comprimido por competições simultâneas exige rotação de elenco, mas a Sul-Americana é imperdoável com largadas ruins. Em chaves equilibradas, perder fora de casa transfere uma pressão desproporcional para os confrontos como mandante.
A injeção de urgência aplicada por Luís Castro precisa surtir efeito imediato. O teste de fogo para provar que o vestiário assimilou a bronca acontece já neste sábado, 11 de abril, às 20h30. O Tricolor visita o arquirrival Internacional no Beira-Rio, em clássico válido pelo Campeonato Brasileiro.
Logo depois, na terça-feira (14), às 19h, o Grêmio recebe o Deportivo Riestra na Arena. O que deveria ser um período de tranquilidade pós-estadual virou uma panela de pressão. A resposta exigida pelo português terá que ser instantânea, sob o risco da “pior atuação do ano” virar rotina.