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Grêmio tem proposta de R$ 75 milhões nas mãos e testa poder de barganha

O Grêmio virou um dos casos mais interessantes da guerra das ligas no futebol brasileiro — e o motivo não é exatamente a venda de direitos de transmissão. Esse contrato já está amarrado dentro da Libra, com vigência até 2029. O que o clube segura agora é outra coisa: uma proposta do Banco Daycoval para antecipar receitas futuras de TV.

Pelo modelo posto na mesa, o banco ficaria com 5% dos direitos por 15 anos, e o Grêmio receberia algo em torno de R$ 75 milhões imediatamente. O clube pediu ajustes, recebeu respostas e, mesmo assim, ainda não deu posição final — com prazo até 8 de abril para responder.

O que o Grêmio realmente está testando

Esse detalhe muda completamente a leitura política da história. Não é hesitação administrativa. É um teste de valuation. Como a TV já está contratada, o Grêmio usa o tempo para pressionar por uma precificação melhor do seu fluxo futuro de mídia. Em linguagem de mercado, o clube não tenta inflar o valor do direito em si, mas melhorar o custo do dinheiro em cima desse direito.

Há risco: quanto mais o clube estica a corda, mais pode perder timing numa operação que outros associados da Libra tratam como vantajosa.

A guerra entre Libra e LFU deixa o Grêmio em posição delicada

O pano de fundo pesa ainda mais porque a disputa entre Libra e LFU/FFU segue moldando o futebol de 2026. Há uma nuance importante no comparativo: o Inter, filiado à FFU, fechou 2025 com R$ 190 milhões em receitas de TV e publicidade de borda, contra cerca de R$ 145 milhões do Grêmio. Ou seja, a média do bloco não conta toda a história — a engenharia comercial de cada liga e a forma de monetizar exposição mudam bastante o resultado final.

O atraso gremista pode ser lido de duas formas. Pela lente otimista, o clube está sendo esperto ao não aceitar qualquer estrutura de antecipação sem espremer o máximo do ativo. Pela lente crítica, está ficando para trás justamente quando rivais transformam a escolha de bloco em caixa real.

O recado para o mercado

A espera tricolor vale como mensagem: o Grêmio quer provar que ainda pode negociar como protagonista, não como aderente passivo de bloco. A assinatura — ou não — desses R$ 75 milhões seguirá dizendo muito sobre quem está conseguindo ler melhor o futuro das ligas no Brasil.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.