O Grêmio entrou numa zona de pressão contratual que pode custar caro. Amuzu e Carlos Vinicius têm vínculo apenas até 31 de dezembro de 2026 e, se nada mudar, poderão assinar pré-contrato com outro clube a partir de julho. A direção ainda não iniciou as tratativas de forma efetiva, embora a expectativa interna seja de avanço nas próximas semanas. O problema é que o relógio já virou um adversário real.
O risco não é igual para os dois
No papel, os dois casos parecem idênticos. Na prática, não são. Amuzu foi comprado em fevereiro de 2025 por 1,2 milhão de euros e hoje está avaliado em 7 milhões de euros. Carlos Vinicius chegou livre ao clube em julho de 2025, com valor de mercado atual também de 7 milhões de euros. Se os dois saírem sem taxa, o Grêmio abre mão de ativos avaliados em 14 milhões de euros — mas o dano financeiro direto é maior no caso de Amuzu, porque houve investimento de compra. No de Carlos Vinicius, o prejuízo pesa mais na reposição esportiva.
Amuzu é o caso mais urgente
Amuzu tem 26 anos, atua pelos dois lados do ataque e ainda oferece mercado por idade e perfil. O valor subiu para 7 milhões de euros, o contrato acaba em dezembro e a renovação trava por custo — estimativas de mercado colocam seus vencimentos perto de R$ 1 milhão por mês, patamar alto para o cenário gremista.
Como foi contratado em definitivo e ainda está em faixa de revenda, deixá-lo caminhar para uma saída livre seria desperdiçar um dos poucos ativos ofensivos do elenco com possibilidade clara de retorno financeiro. O Grêmio precisa decidir rápido: banca a renovação pesada ou abre espaço para venda antes de perder poder de barganha. Quanto mais perto de julho, mais o clube negocia em posição fraca.
Carlos Vinicius ainda dá alguma margem

Carlos Vinicius é o caso de rendimento imediato. O centroavante disputou todos os 19 jogos em 2026 e soma 11 gols, sendo seis no Brasileirão — o mais produtivo do time na posição. Além disso, o contrato prevê renovação automática até ao menos 2027 se ele atingir 60% das partidas, o que dá ao clube uma proteção maior do que no caso de Amuzu.
O salário estimado gira entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão por mês. Como chegou sem taxa de transferência, a eventual saída livre não teria o mesmo peso contábil. Ainda assim, seria um baque esportivo relevante: o time perderia seu 9 mais produtivo e precisaria voltar ao mercado buscando um substituto já pronto — e provavelmente caro.
O recado dos bastidores que o Grêmio manda
Os dois casos juntos deixam um alerta claro: se o Grêmio não se mover logo, julho pode abrir uma janela perigosa demais para o setor mais decisivo do ataque. A pressão não é apenas de renovação — é de gestão de ativos num momento em que o clube ainda busca consistência em campo.