Perder um Gre-Nal é doloroso. Perder de virada, levando 4 a 2 e sofrendo um “apagão” de três gols em menos de dez minutos, é traumático. Mas para o torcedor do Grêmio, o pós-jogo foi tão irritante quanto os 90 minutos. O lateral Marcos Rocha, mineiro de Sete Lagoas e um dos líderes do elenco, tentou explicar o inexplicável com um clichê perigoso: “Fomos superados um pouco mais na vontade do que na parte técnica.”
A frase caiu como uma bomba em Porto Alegre. Ao reduzir o atropelo do Internacional a uma questão de “gana”, Rocha inadvertidamente absolveu os erros táticos grotescos do time de Luís Castro e minimizou a superioridade estratégica do rival.
O Que Aconteceu vs. O Que Rocha Viu no Grêmio
A leitura do lateral contrasta com a realidade do campo no Beira-Rio:
- O Apagão Tático: O Grêmio não perdeu divididas; perdeu o norte. Entre os 10 e 19 minutos do segundo tempo, o time sofreu três gols. Isso não é falta de vontade, é falta de compactação, cobertura e controle emocional. O Inter explorou avenidas (inclusive nas costas do próprio Rocha), não apenas “correu mais”.
- O Lance Pessoal: Rocha teve azar no primeiro gol (a bola desviou nele), mas sua atuação foi criticada pela passividade na marcação. Quando ele fala em “vontade”, o torcedor entende como uma transferência de responsabilidade, como se o time tivesse lutado, mas o adversário tivesse lutado mais. A verdade é que o Grêmio foi dominado, não apenas superado no esforço.
Por Que a Frase “Pegou Mal”?
No futebol moderno, “vontade” virou código para não admitir incompetência. Quando um time toma um vareio tático e diz que faltou vontade, ele está dizendo que o problema é “atitude”. Mas o problema do Grêmio no Gre-Nal 449 foi de execução.
- O time abriu o placar cedo (4 min) e parou.
- A defesa colapsou na transição rápida do Inter.
- Luís Castro foi engolido pelas mudanças do rival. Dizer que foi “vontade” é uma cortina de fumaça que impede o Grêmio de corrigir os erros reais de posicionamento.
O Fator Mineiro: A Liderança em Xeque
Marcos Rocha foi contratado pela experiência (ex-Atlético, ex-Palmeiras). Dele, espera-se uma leitura de jogo fria e precisa. Ao recorrer ao lugar-comum, ele perde pontos com a arquibancada. O torcedor aceita perder porque o outro time foi melhor. O que o torcedor não aceita é ver o time ser amassado taticamente e ouvir do seu lateral que “faltou um pouquinho mais de querer”.