A contratação de Weverton não trouxe apenas um novo titular para a meta do Grêmio; trouxe também a necessidade urgente de reequilibrar as contas do departamento de futebol. Com o ídolo ex-Palmeiras assinando até 2028 e assumindo imediatamente o status de “dono da posição”, a diretoria tricolor iniciou uma operação de bastidor para encerrar o ciclo de Tiago Volpi.
O goleiro, que tem contrato até dezembro de 2026, viu sua hierarquia despencar para a terceira opção e tornou-se um ativo caro demais para ficar no banco (ou fora dele). Segundo apurações, as partes costuram uma rescisão amigável, mas o acordo esbarra em dívidas antigas referentes a luvas e na definição do pagamento dos salários restantes.
A situação de Volpi ficou insustentável esportivamente após a chegada do reforço de peso. Enquanto Weverton assume a titularidade e Gabriel Grando (recém-renovado) se consolida como a sombra imediata e ativo de valorização, Volpi sobrou.
A prova cabal veio na última rodada: após atuar contra o São José, ele sequer foi relacionado para o jogo seguinte, perdendo espaço até no banco de reservas para garotos da base. O recado é claro: o clube quer estancar o custo mensal de um jogador que não faz mais parte dos planos principais.
A Matemática da Economia no Grêmio: Por Que Rescindir?
Manter Tiago Volpi até o fim do contrato (dezembro de 2026) custaria uma fortuna ao Grêmio sem retorno técnico. Estimativas de mercado apontam que, somando salários (na casa dos R$ 400 mil, segundo especulações setoriais), encargos e direitos de imagem, o pacote anual do goleiro superaria facilmente a casa dos R$ 5 milhões.

- O Dilema: Para economizar esse fluxo mensal futuro, o Grêmio precisa gastar agora.
- A Trava: Existem pendências de “luvas” (bônus de assinatura) atrasadas desde a sua contratação. O goleiro aceita sair, mas quer receber o que lhe é devido e negociar uma compensação pelo tempo de contrato que resta. A estratégia da direção é trocar um custo fixo mensal “morto” por uma dívida parcelada e resolvida, liberando espaço na folha salarial para outras carências do elenco.
Weverton e o Fim do Rodízio
A chegada de Weverton é uma resposta direta ao “trauma pós-Grohe”. Desde a saída do ídolo, o Grêmio testou mais de uma dúzia de goleiros sem encontrar unanimidade. Ao trazer um nome de Seleção Brasileira com contrato longo, o clube sinaliza o fim da era de testes.
Weverton chega para jogar 60 partidas no ano. Isso torna a presença de outro goleiro experiente e caro (Volpi) redundante. A aposta é na hierarquia clara: um titular absoluto, um reserva jovem com potencial de venda (Grando) e a base completando o grupo.
O Destino: México no Retrovisor
Se a rescisão for confirmada, o caminho mais provável para Tiago Volpi é o retorno ao futebol mexicano, onde construiu uma carreira sólida e respeitada. Defendendo Querétaro e Toluca, ele virou ídolo e até cogitou naturalização.
O mercado brasileiro, inflacionado pela dança das cadeiras dos goleiros, pode ser uma opção, mas os altos salários dificultam o encaixe em times da Série A que já têm suas metas definidas. Livre no mercado, Volpi teria autonomia para escolher o projeto, facilitando a vida do Grêmio, que só quer resolver a questão financeira.