A tentativa do Grêmio de repatriar Thiago Almada para o futebol sul-americano esbarrou em uma barreira financeira quase intransponível. O Tricolor Gaúcho buscou abrir negociações por um empréstimo com opção de compra, tentando aproveitar a baixa minutagem do campeão do mundo na Espanha, mas recebeu uma resposta dura do Atlético de Madrid: não há interesse em ceder o jogador temporariamente.
A diretoria colchonera sinalizou que só aceita conversar mediante uma venda definitiva, estipulando o valor de € 20 milhões (cerca de R$ 126 milhões) por apenas 50% dos direitos econômicos do atleta.
Esse posicionamento rígido dos espanhóis esfria o otimismo gremista. O clube brasileiro via em Almada a “cereja do bolo” para o time de Luís Castro em 2026, mas os valores exigidos transformam uma oportunidade de mercado em uma operação financeira estruturante, fora dos padrões atuais para uma única contratação no Brasil, especialmente considerando que o valor envolve apenas metade do passe.
Reserva de Luxo e “Overbooking” em Madri
A esperança do Grêmio nasceu do momento esportivo de Almada. Contratado como estrela, o argentino não conseguiu se firmar entre os titulares de Diego Simeone. Embora tenha participado de 16 dos 26 jogos da equipe, ele começou jogando apenas seis vezes.
A imprensa espanhola descreve o setor de meio-campo do Atlético como “superlotado”, o que limitou os minutos do ex-Botafogo. Com pouco mais de 500 minutos em campo, 2 gols e 1 assistência, Almada virou um ativo “negociável” para aliviar a folha e o elenco, mas o clube quer recuperar o investimento feito, e não apenas emprestá-lo.
Por que o Atlético de Madrid não quer emprestar ao Grêmio?

A recusa ao modelo de empréstimo tem lógica financeira. O Atlético de Madrid fez um investimento pesado recentemente para tirar Almada do Botafogo/Eagle Holding. Os espanhóis pagaram cerca de € 21 milhões e assinaram um contrato longo, até 2030. Emprestar um jogador desse custo seis meses após a compra seria admitir um erro de planejamento.
O objetivo de Madri é claro: ou Almada fica e briga por espaço, ou sai em definitivo para recompor o caixa do clube. O “modelo Grêmio” (empréstimo com gatilhos) não resolve o problema contábil dos espanhóis agora.
Análise Moon BH: O Passo Maior que a Perna
O Grêmio tentou o movimento certo: buscar um craque em baixa na Europa por empréstimo. É assim que clubes brasileiros conseguem trazer jogadores de nível A. O problema é que o Atlético de Madrid não é clube de caridade e Almada é um ativo novo, com contrato até 2030. Pedir R$ 126 milhões por 50% é a forma educada de dizer “não queremos vender para o Brasil”.
O Grêmio não deve comprometer seu orçamento anual em um único jogador, por melhor que ele seja. Se Luís Castro quer um camisa 10, a diretoria terá que ser criativa em outros mercados, porque tirar Almada de Madri, hoje, só com um caminhão de dinheiro que o Grêmio (e quase ninguém no Brasil) tem disponível.