O Flamengo acertou a transferência do zagueiro Da Mata, de 20 anos, para o Konyaspor, da Turquia, por US$ 300 mil, cerca de R$ 1,6 milhão. O valor corresponde à aquisição de 70% dos direitos econômicos do defensor, que terá contrato de três temporadas com o clube turco.
À primeira vista, a operação parece simples. O Rubro-Negro recebe uma quantia relativamente baixa, mantém os outros 30% e aposta em uma valorização futura do jogador na Europa.
Os números divulgados sobre a propriedade de Da Mata, entretanto, mostram que a conta é mais complexa.
O Flamengo não era dono do jogador inteiro
O clube carioca não possuía 100% do zagueiro. Quando o contratou junto ao Grêmio, em janeiro de 2024, ficou com apenas 25% dos direitos econômicos. Os outros 75% continuaram pertencendo ao clube gaúcho, responsável pela formação do atleta.
Por isso, os US$ 300 mil não serão integralmente depositados nos cofres da Gávea. Segundo informações publicadas pelo Lance, o Flamengo terá direito a 25% do valor da transferência.
Isso representa cerca de US$ 75 mil, algo próximo de R$ 400 mil na cotação usada para divulgar o negócio. O Grêmio ficaria com a maior parcela, estimada em US$ 225 mil.
Os 30% restantes não são todos do Flamengo
Também é preciso cuidado com a informação de que o Flamengo continuará com 30% do jogador. O Konyaspor está comprando 70% dos direitos, mas isso não significa automaticamente que os 30% restantes pertençam ao clube carioca.
Como a divisão anterior era de 25% para o Flamengo e 75% para o Grêmio, uma venda proporcional de 70% deixaria o Rubro-Negro com 7,5% dos direitos totais de Da Mata. O clube gaúcho conservaria os outros 22,5%.
Essa é uma projeção matemática baseada na divisão anterior. Até o momento, os detalhes publicados sobre a operação não esclarecem se Flamengo e Grêmio negociaram uma redistribuição da parcela mantida após a venda.
Quanto uma venda futura poderia render
Caso os 30% tenham sido preservados proporcionalmente, a fatia futura do Flamengo será pequena, mas ainda poderá gerar receita relevante se Da Mata se firmar no futebol turco e for vendido para um mercado mais rico.
Em uma transferência futura de US$ 5 milhões, por exemplo, 7,5% representariam US$ 375 mil, cerca de R$ 2 milhões. Se o zagueiro atingir uma negociação de US$ 10 milhões, a parcela rubro-negra subiria para US$ 750 mil, perto de R$ 4 milhões.
Uma venda de US$ 20 milhões renderia US$ 1,5 milhão ao Flamengo, algo próximo de R$ 8 milhões. Os cálculos não consideram eventuais comissões, impostos, cláusulas contratuais ou valores ligados ao mecanismo de solidariedade da Fifa.
Para o Flamengo receber 30% integrais de uma transferência futura, o clube precisaria ser dono de toda a parcela restante, cenário que a divisão divulgada desde a chegada do jogador não sustenta sem um novo acordo com o Grêmio.
A decisão de não investir mais no zagueiro
Outro dado ajuda a avaliar se a venda valeu a pena. Quando trouxe Da Mata em 2024, o Flamengo não pagou pela primeira fatia de 25%. O acordo previa, no entanto, a possibilidade de comprar mais 50% dos direitos econômicos.
O Rubro-Negro poderia adquirir uma segunda parcela de 25% por € 400 mil e uma terceira por € 600 mil. Para passar de 25% a 75% do jogador, teria de desembolsar € 1 milhão. A diretoria decidiu não exercer as opções.
A decisão pode ser questionada pelo potencial esportivo do zagueiro, mas encontra justificativa quando comparada ao valor aceito pelo Konyaspor. O pagamento de US$ 300 mil por 70% atribui a Da Mata uma avaliação total aproximada de US$ 428,6 mil.
Por que a escolha foi financeiramente prudente
Esse preço é muito inferior à avaliação embutida nas opções de compra do contrato de 2024. Apenas a primeira parcela adicional custaria € 400 mil por 25%, o que avaliaria o jogador em € 1,6 milhão.
Se tivesse pagado € 1 milhão para elevar sua participação a 75%, o Flamengo receberia aproximadamente US$ 225 mil na atual operação, considerando uma divisão proporcional. Mesmo mantendo uma fatia maior para uma venda futura, o retorno imediato estaria muito abaixo do investimento realizado.
Financeiramente, portanto, não comprar os percentuais adicionais foi uma decisão prudente diante do preço atual de mercado.


