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Flamengo vende promessa ao Shakhtar e dinheiro pode destravar reforço que Leonardo Jardim pediu

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A venda de Ryan Roberto ao Shakhtar Donetsk muda o caixa do Flamengo, mas não do jeito mais óbvio. O negócio pode chegar a 10 milhões de euros, algo próximo de R$ 58,8 milhões. Além disso, dá ao clube uma margem que não existia no início da parada para a Copa do Mundo.

O valor chama atenção, principalmente por se tratar de um atacante que ainda não havia se firmado no profissional. Mas a pergunta mais importante agora não é apenas quanto entrou. É o que o Flamengo consegue fazer com esse dinheiro numa janela em que Leonardo Jardim já deixou claro que quer um elenco mais intenso. Ademais, ele deseja um elenco mais jovem e com alternativas diferentes para o segundo semestre.

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Valores: Quanto custou a negociação

Foto: Adriano Fontes / Flamengo

Segundo o ge, o Shakhtar pagará 9,5 milhões de euros fixos, com mais 500 mil euros em bônus considerados alcançáveis. O Rubro-Negro ainda mantém 10% dos direitos econômicos do jogador para uma futura venda. Entretanto, há um detalhe que reduz o impacto imediato no caixa: 70% do valor vai para o clube carioca. Os outros 30% pertencem ao Athletico, que tinha uma fatia dos direitos da promessa.

Ou seja: se a operação alcançar o teto previsto, a parte bruta do Flamengo fica perto de 7 milhões de euros, algo em torno de R$ 41 milhões pela cotação usada na negociação. Antes de impostos, comissões e parcelamentos, esse é o número que ajuda a entender o tamanho real do fôlego rubro-negro.

Não é pouco. Mas também não é dinheiro para comprar qualquer nome badalado do mercado.

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Ryan tinha contrato até março de 2027 e não aceitava renovar. A partir de outubro, poderia assinar pré-contrato com outro clube. O Flamengo tentou ampliar o vínculo, mas o jogador queria um plano de desenvolvimento mais claro, com possibilidade maior de chegada ao profissional. Enquanto o impasse não avançava, ficou fora dos jogos da base.

A saída, portanto, evita um problema maior. O clube transforma em receita uma joia que poderia perder valor nos próximos meses. Além disso, ainda preserva participação em uma venda futura. O ponto sensível é esportivo: Ryan fez 22 gols em 37 jogos em 2025 e, em 2026, somava seis gols e duas assistências em 13 partidas pelo sub-20. Ele era ativo de bom potencial.

O dinheiro ajuda, mas não compra um astro sozinho

O Flamengo já vinha desenhando a janela com cautela. A diretoria investiu pesado no início do ano, especialmente com Lucas Paquetá. Por isso, passou a tratar o próximo mercado como um período de ajustes, não de revolução no elenco.

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A ideia é buscar jogadores jovens, saudáveis, com intensidade e valor mais controlado. O perfil faz sentido para a equipe de Leonardo Jardim. Isso porque o time terá uma sequência pesada depois da Copa, com Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores no calendário.

As posições monitoradas ajudam a responder quem pode ser contratado com a venda de Ryan: um centroavante para disputar espaço com Pedro, um meia para ser alternativa a Arrascaeta, um lateral-esquerdo e, dependendo das saídas, um volante.

O dinheiro da negociação com o Shakhtar pode pagar boa parte de uma dessas operações. Mas dificilmente bancará sozinho um alvo caro. Kaio Jorge, Luiz Henrique e outros nomes de prateleira alta continuam sendo negócios difíceis, tanto pelo valor de compra quanto por salário e concorrência.

O caminho mais realista está em outro lugar: um atacante jovem de mercado sul-americano, um meia em condição de oportunidade, um volante com intensidade física ou até uma operação parcelada por um lateral. O Flamengo não precisa gastar a receita inteira em um único jogador. Contudo, pode usar o dinheiro para destravar entrada, luvas, bônus e primeira parcela de uma contratação.

É aqui que a venda ganha importância prática. Sem essa entrada, o clube teria menos margem para agir antes de vender atletas do elenco profissional. Com Ryan negociado, a diretoria não fica obrigada a esperar uma proposta por nomes como Everton Cebolinha, Luiz Araújo, Carrascal, Plata ou De la Cruz para se mexer.

Ainda assim, cada caso tem um peso diferente. Alguns jogadores têm mercado, mas também são úteis ao elenco. Outros só sairiam por oferta alta ou com reposição encaminhada. A venda da base dá fôlego, não resolve toda a janela.

Quais nomes fazem mais sentido para o Flamengo

O primeiro alvo lógico é um centroavante de mobilidade. Leonardo Jardim já explicou que não quer apenas uma cópia de Pedro. A comissão técnica busca um atacante que ataque espaços, se movimente entre linhas e ofereça outra solução para jogos em que o camisa 9 fica mais encaixotado.

Esse perfil foi o motivo de o Flamengo olhar para Kaio Jorge anteriormente. O problema é que o Cruzeiro sempre tratou o atacante como peça central. Com isso, uma negociação nesse nível exigiria valor muito acima do que a venda de Ryan entrega ao clube carioca. Marcos Leonardo também já apareceu no radar, mas atua no mercado saudita, onde salário e custo de transferência costumam pesar.

Por isso, o dinheiro recebido pelo atacante vendido ao Shakhtar combina melhor com uma alternativa menos midiática. Um jogador jovem, talvez fora do Brasil, com potencial de valorização e preço entre 4 milhões e 7 milhões de euros. É exatamente a faixa em que o Flamengo poderia entrar sem comprometer toda a janela.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.