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Flamengo fora do top 30 da Forbes: por que o maior clube do Brasil não entra na lista global

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O Flamengo ficou de fora da lista dos 30 clubes de futebol mais valiosos do mundo divulgada pela Forbes em 2026. A ausência chama atenção porque o Rubro-Negro é o maior clube financeiro do Brasil, lidera rankings nacionais de valuation e já foi incluído em estudos internacionais de receita. Mesmo assim, a publicação americana não incluiu o clube carioca no recorte global.

A ausência não é injustiça simples nem elogio disfarçado. É um diagnóstico preciso do que ainda falta para o Flamengo ser tratado como ativo global de primeiro nível.

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O 30º colocado da Forbes foi o Austin FC, da MLS, avaliado em US$ 855 milhões. A Sports Value avalia o Flamengo em US$ 962 milhões. No papel, o clube estaria acima do corte. Na metodologia da Forbes, não entrou.

A lista completa e o domínio europeu e americano

O ranking foi liderado pelo Real Madrid, avaliado em US$ 9,5 bilhões, seguido por Barcelona (US$ 7,5 bi), Manchester United (US$ 7,2 bi) e Liverpool (US$ 6,2 bi).

Os 30 clubes listados, em ordem, são:

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Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Liverpool, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique, Manchester City, Arsenal, Chelsea, Tottenham, Atlético de Madrid, Juventus, Borussia Dortmund, Milan, Inter Miami, Internazionale, Newcastle United, Los Angeles FC, West Ham, Atlanta United, LA Galaxy, New York City FC, Aston Villa, Brighton, Everton, Benfica, Fulham, Seattle Sounders, VfB Stuttgart e Austin FC.

O detalhe que explica a ausência rubro-negra está na parte final da lista: sete dos 30 clubes são da MLS. Inter Miami, LAFC, Atlanta United, LA Galaxy, New York City FC, Seattle Sounders e Austin FC aparecem todos avaliados com múltiplos altos porque operam como franquias em um mercado fechado, sem rebaixamento, com entrada limitada de novos competidores e perspectiva de valorização imobiliária ligada a estádios e propriedades territoriais.

Por que o Flamengo ficou fora

A Forbes não aplica ao Flamengo os mesmos múltiplos usados para clubes europeus e franquias americanas.
O clube é rico em receita. A Deloitte Football Money League o incluiu como único representante não europeu entre os 30 clubes de maior faturamento do mundo. Em reais, estudo divulgado pela ESPN colocou o Flamengo em R$ 5,096 bilhões, à frente de Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG SAF e São Paulo.

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Mas valuation é diferente de receita. O investidor olha para caixa futuro, ativos controlados, moeda de operação, risco jurídico e potencial de expansão internacional. É aí que o ambiente brasileiro pesa.

pedro e paquetá no flamengo
Pedro e Paquetá – Fots: Gilvan de Soza/Flamengo

O Flamengo opera em reais, em um mercado com câmbio volátil, calendário inchado e direitos de transmissão menos previsíveis do que os europeus. Também não tem estádio próprio, o que limita receitas de matchday, naming rights, hospitalidade e eventos fora dos jogos.

A própria Sports Value destacou que, apesar de ser o clube mais valioso do Brasil, o Flamengo aparece apenas em 8º lugar no país em ativos não relacionados a jogadores, justamente pela ausência de casa própria.

A ausência é injusta?

É discutível. Pelos números da Sports Value, o Flamengo teria tamanho para estar no top 30. Mas a Forbes aplica metodologia própria, com base em transações comparáveis, múltiplos de mercado e estrutura de dívida, e não simplesmente replica avaliações locais.

O Moon BH entende que as duas leituras podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. A Forbes pode subestimar o futebol sul-americano ao não traduzir corretamente o tamanho do Flamengo para critérios globais. E o Flamengo pode realmente precisar construir ativos mais sólidos para ser precificado como negócio internacional.

Não são contradições. São dois problemas diferentes que se reforçam.

O que falta para entrar no ranking

O caminho passa por quatro frentes que o Moon BH acompanha de perto.
Estádio. Com casa própria, o Flamengo multiplicaria receita de matchday, hospitalidade, naming rights e uso comercial fora dos dias de jogo. É o ativo mais evidente que falta.

Internacionalização. O clube precisa vender sua marca fora do Brasil com mais consistência, especialmente nos Estados Unidos, Europa e África. Camisa, conteúdo digital, academias e parcerias globais aumentam o múltiplo de valuation.
Liga. Um Brasileirão mais organizado, com direitos de transmissão previsíveis e produto internacional mais forte, elevaria o valor de todos os grandes clubes.

Governança. Investidores pagam mais por transparência e previsibilidade. O Flamengo é associação, não SAF, o que preserva controle interno mas pode dificultar leituras típicas do mercado financeiro global.

O recado que a lista entrega

Ficar fora do top 30 da Forbes não diminui o Flamengo no Brasil. O clube segue sendo a maior potência esportiva e financeira do país, com torcida nacional, elenco competitivo e receita bilionária.

Mas o ranking é um aviso útil. O Flamengo já fatura em alguns indicadores como clube global. Ainda não é tratado como negócio global pelos grandes avaliadores do esporte.

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

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