Tem alguém que desacredita no potencial de Pedro dentro de campo? Aparentemente, no Flamengo, a resposta é sim. É o que uma fala de Leonardo Jardim mostrou após a vitória deste domingo contra o Fluminense com dois gols do jogador. A fala talvez tenha sido a definição mais importante do atacante em 2026.
Depois do Fla-Flu, o técnico disse que ouviu ao chegar ao clube que o camisa 9 “não sabia pressionar” — e respondeu com tese oposta: para ele, Pedro está mostrando ser “um jogador completo” na ação defensiva, na construção, no apoio e na finalização. “Quando cheguei, ouvi muito que o Pedro não sabia pressionar”, diss Jardim na coletiva pós-jogo.
É uma leitura que contrasta diretamente com a fase anterior. Filipe Luís o tratava sobretudo como um atacante decisivo “quando a bola chega” e admitia que ele nem sempre estava em seu melhor nível. O novo ângulo, portanto, não é apenas que Pedro voltou a fazer gols. É que Jardim está tentando redefinir seu papel no time.
A queda e a reconstrução que poucos acompanharam
Essa virada ganha peso pela trajetória recente do atacante. Os marcos contam a história:
- 2023: melhor ano artilheiro no Flamengo — 35 gols em 61 partidas
- 4 de setembro de 2024: lesão grave no joelho esquerdo
- 13 de setembro de 2024: cirurgia
- 31 de março de 2025: reintegração ao grupo
- 9 de abril de 2025: retorno aos jogos — 6 meses e 27 dias após a operação
Nem a volta resolveu tudo de imediato. No início de 2026, Pedro perdeu espaço após atritos públicos e um período de oscilação. Até começo de março, tinha 11 jogos no ano, só cinco como titular.
O que Jardim fez diferente com Pedro no Flamengo

A mudança veio com uma conversa direta. Jardim foi até o atacante, passou confiança, prometeu sequência e pediu contrapartidas sem a bola. O resultado apareceu rápido: desde então, Pedro virou novamente peça central — chegou ao clássico contra o Fluminense como o jogador mais utilizado e com mais participações em gols na era do técnico português.
“Acho que ele é um jogador completo e está demonstrando isso. É importante para nós […] Não quero falar do passado, só do presente”, concluiu Jardim.
No Fla-Flu, dois gols e uma atuação decisiva que o levaram a 163 gols pelo Flamengo — ultrapassando Gabigol como maior artilheiro do clube no século XXI. Em 2026, já soma 11 gols.
O que faz Pedro ser tecnicamente diferente
Aos 28 anos e 1,85 m, Pedro não vive apenas de presença de área. Os traços que ampliam seu teto:
- Pivô forte para segurar a bola e atrair marcação
- Apoio curto e capacidade de tabelar em espaços reduzidos
- Pressão coordenada sem a bola — ponto que Jardim destacou explicitamente
- Finalização de elite — de cobertura, de peito, em bola parada ou apoiada
É esse pacote que permite ao Flamengo instalar posse no campo rival e usar Pedro como organizador avançado, não apenas como finalizador do último toque.
Quanto Pedro vale hoje no mercado
No Transfermarkt, o camisa 9 aparece com valor de mercado de € 17 milhões (cerca de R$ 101 milhões) e contrato com o Flamengo até 31 de dezembro de 2027. O pico já foi maior: € 23 milhões, registrado em junho de 2024.
A queda reflete a própria trajetória recente: idade mais avançada para revenda internacional, interrupção física grave e período de oscilação de status competitivo. A alta atual, porém, sinaliza que a reprecificação pode estar em andamento.
O papel que Jardim está tentando consolidar
A leitura tática de Jardim é clara: Pedro é importante quando o Flamengo quer pressionar, construir por dentro e sustentar ataques mais longos. Para jogos de transição mais agressiva, o técnico citou Wallace Yan e Bruno Henrique como outras armas.
Tecnicamente, o que faz dele um “extra-classe” é a mistura de pivô forte, apoio curto e finalização de elite. Jardim sinalizou que o teto tático do jogador é máximo quando o Flamengo instala a posse no campo rival e usa o atacante como um “organizador avançado”.