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A tática de Leonardo Jardim no Flamengo e nova chance de Gonzalo Plata

A vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Cusco, a cruéis 3.350 metros acima do nível do mar, marcou mais do que a estreia de Leonardo Jardim na Copa Libertadores. O resultado provou a maturidade competitiva de um elenco que entendeu como respeitar e neutralizar as armadilhas do continente. Com gols de Bruno Henrique e Arrascaeta na etapa final, o time carioca driblou o desgaste físico extremo e consolidou um modelo de jogo pragmático que promete ditar o ritmo rubro-negro na temporada.

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A estratégia de sobrevivência: controle ao invés de correria

O ponto alto da atuação foi a disciplina tática inegociável. Equipes brasileiras costumam sucumbir ao ar rarefeito por tentarem impor transições longas e velocidade constante, resultando em apagões físicos nos 20 minutos finais. Jardim exigiu exatamente o oposto: colocar a bola no chão, controlar o ritmo e escolher milimetricamente o momento de acelerar.

A preparação começou muito antes do apito inicial. Para evitar a exaustão precoce, a diretoria montou uma logística de guerra que incluiu:

  • Chegada programada a Cusco no limite do prazo permitido para retardar os efeitos da altitude.
  • Uso de quartos de hotel pressurizados, simulando níveis normais de oxigênio para acelerar a recuperação fisiológica.
  • Foco em inteligência emocional para não ceder à forte pressão inicial característica dos times peruanos em casa.

A estratégia funcionou. O time suportou o ambiente inóspito e liquidou a fatura no segundo tempo, aproveitando os espaços deixados por um adversário que já não conseguia sustentar a própria intensidade.

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A reviravolta de Gonzalo Plata nos bastidores

Gonzalo Plata do Flamengo
Marcelo Cortes/CRF

Além do triunfo estratégico coletivo, a partida marcou uma virada de chave individual. O atacante equatoriano Gonzalo Plata, que recentemente viu seu nome no radar de saídas devido a problemas de comportamento extracampo, ganhou a titularidade justamente no cenário de maior exigência física.

Segundo apuração da ESPN, a escolha passa longe do acaso. Leonardo Jardim mudou a leitura sobre o atleta e decidiu abraçá-lo no processo de reconstrução do elenco. O comandante português enxerga no atacante características vitais para o seu esquema tático:

  • Explosão muscular invejável em campo aberto.
  • Capacidade ímpar de atacar espaços nas costas de defesas desorganizadas.
  • Condução de bola letal sob pressão adversária.

Ao escalar Plata, Jardim enviou uma mensagem clara de meritocracia ao vestiário: no seu Flamengo, há espaço para segundas chances, e recuperar um ativo milionário é prioridade sobre descartá-lo precocemente.

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O clássico como prova de fogo para a nova postura

Vencer fora do Maracanã, com desfalques pesados e em condições adversas, fortalece de vez o início de trabalho de Jardim. O time provou que tem repertório para abandonar a impulsividade e ser letal.

O próximo teste para essa resiliência rubro-negra será no sábado, 11 de abril, às 18h30. O clássico contra o Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, exigirá que o Flamengo vire a chave da sobrevivência andina para a imposição técnica em solo carioca.

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Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.