Bap tentou encerrar o assunto, ao menos publicamente. Mesmo depois do climão envolvendo Gonzalo Plata no Flamengo, o presidente rubro-negro afirmou ao ge que não há intenção de negociar o equatoriano. A fala veio dias depois de o atacante ser cortado de jogo, receber cobrança pública de Leonardo Jardim e apagar fotos ligadas ao clube nas redes sociais.
O problema é que, embora o discurso oficial seja de permanência, a situação esportiva de Plata continua aberta e sob forte pressão.
Hoje, Plata vale 8 milhões de euros no Transfermarkt, algo perto de R$ 48,1 milhões pela cotação de referência do euro em 30 de março. É um valor relevante, mas abaixo do tamanho da expectativa criada quando o Flamengo fechou a contratação.
Gonzalo Plata no Flamengo: quanto ele vale e quanto custou
O custo total da operação foi maior do que muita gente lembra. Em 2024, o Flamengo acertou a compra inicial por 50% dos direitos de Plata por cerca de 3,8 milhões de euros, algo em torno de R$ 23,7 milhões. Depois, ao atingir metas contratuais, o clube precisou pagar mais 3,9 milhões de dólares ao Al-Sadd por outra fatia do atacante. No consolidado, a transação é vista, como o Moon BH apurou, como um negócio que chegou à casa dos R$ 52 milhões.
O ponto mais sensível, porém, não é o preço pago, mas o retorno entregue até aqui. Plata ainda tem mercado internacional e idade para revenda, o que ajuda a explicar por que Bap evitou abrir qualquer sinalização de venda imediata. Ao mesmo tempo, a valorização futura depende de retomada técnica, e esse é justamente o gargalo do momento.
Sobre salário, o Flamengo não divulga a cifra, e não há um valor público robusto e confirmado para os vencimentos atuais do equatoriano. O que existe de mais sólido, neste momento, é a informação da ESPN de que o salário é considerado alto internamente e pesa na discussão sobre o futuro do jogador. Por isso, cravar um número exato hoje seria ir além do que está efetivamente documentado.
Por que Leonardo Jardim cobra mais do jogador em campo

Taticamente, Plata faz sentido no elenco. O atacante reúne velocidade, drible, visão de jogo e versatilidade para atuar em mais de uma função no setor ofensivo. É o tipo de ponta que ataca espaço, quebra marcações no um contra um e pode jogar aberto ou flutuando por dentro, algo valioso em um time que gosta de acelerar pelos lados.
O problema é que, com Leonardo Jardim, não basta ter repertório técnico. Depois do empate com o Corinthians, o treinador foi direto ao falar em “dificuldades de integração” e disse que, para jogar no Flamengo, é preciso concentração, atitude e empenho físico alto. O ge também informou que a comissão reprova o desempenho de Plata no dia a dia de treinos e vê falta de comprometimento. Em outras palavras: a importância tática do equatoriano existe, mas hoje ela está bloqueada por uma crise de confiança.
Essa é a contradição central da história. Bap diz que não quer vender. Só que, dias antes, a ESPN informou que o departamento de futebol trabalhava com a possibilidade de colocá-lo no mercado no meio do ano, desde que houvesse reposição encaminhada. O recado do presidente esfria o rumor no curto prazo, mas não apaga o fato de que Plata perdeu espaço e precisa reconquistar utilidade prática dentro do modelo de Jardim.
O próximo jogo do Flamengo será contra o RB Bragantino, na quinta-feira, 2 de abril, às 21h30, no estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, pela 9ª rodada do Brasileirão, com transmissão de TV Globo e Premiere. O duelo pode ser mais uma vitrine do tamanho real do momento de Plata: mesmo blindado por Bap no discurso, ele ainda precisa mostrar em campo que continua sendo peça aproveitável no Flamengo.