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Flamengo arma trunfo na TV e pressiona a Globo em guerra de milhões

O Flamengo passou a tratar a própria operação de mídia como arma para a próxima negociação do futebol brasileiro. O discurso do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, indica que o clube quer chegar a 2029 com estrutura técnica e comercial para vender partidas diretamente ao torcedor, sem depender totalmente de uma emissora tradicional. Mais do que anunciar uma ruptura imediata, o movimento funciona como pressão sobre o mercado.

Flamengo quer valer mais na próxima mesa de TV

A discussão passa longe de ser apenas “Globo ou não Globo”. O ponto central é o valor que o Flamengo entende merecer pelo tamanho da torcida, da audiência e da força comercial que gera. No ciclo atual, a Libra fechou com a Globo um acordo de R$ 1,17 bilhão por ano, além de 40% da receita líquida do pay-per-view, com vigência até 2029. Nos bastidores, o clube defende critérios que premiem mais audiência e desempenho comercial.

Os números ajudam a explicar a cobrança. Em 2024, o Flamengo arrecadou R$ 453,5 milhões com direitos de TV, valor que o colocou no topo do futebol brasileiro nesse recorte. A mensagem ao mercado é direta: aceitar um modelo excessivamente igualitário significaria, na visão rubro-negra, abrir mão de uma fatia compatível com seu peso nacional.

FlamengoTV virou laboratório real

Foto: reprodução

O plano de independência não está só no discurso. Em 2026, o Flamengo passou a transmitir ao vivo e gratuitamente, pelo YouTube, 10 jogos do Carioca e 19 partidas como mandante no Brasileirão para o público internacional. São 29 jogos usados como laboratório para testar distribuição, audiência global e venda de ativos comerciais fora do modelo tradicional da TV brasileira.

Esse movimento ajuda a explicar por que a diretoria trata a plataforma como algo maior do que um canal oficial. Quanto mais o Flamengo provar que consegue entregar público e inventário próprio, maior será sua força na mesa em 2029. O cenário mais provável ainda parece ser usar esse trunfo para elevar contratos, mas o clube já trabalha para ter uma alternativa concreta.

Quanto o time pode ganhar sozinho

É aqui que entra o principal freio da tese. AdSense sozinho não paga a conta de um clube que já gira cifras tão altas com mídia. O melhor termômetro recente vem da GeTV, que alcançou 40 milhões de pessoas em seis meses e viu a final entre Flamengo e PSG bater 33 milhões de visualizações, com pico de 5,7 milhões de espectadores simultâneos no YouTube. A plataforma informa que criadores ficam com 55% da receita de anúncios em vídeos longos.

Em uma conta conservadora de mercado, uma live com 10 milhões de views pode render dezenas de milhares de reais em anúncios automáticos; numa transmissão do porte de Flamengo x PSG, o valor sobe, mas continua distante do que sustenta sozinho um clube desse tamanho. Por isso, a conta real depende da soma entre assinatura, patrocínio, cota comercial e exploração internacional.

No curto prazo, o recado de Bap parece menos sobre romper e mais sobre negociar melhor. No próximo compromisso, o Flamengo enfrenta o RB Bragantino na quinta-feira, 2 de abril, às 21h30, no estádio Cícero de Souza Marques, com transmissão de TV Globo e Premiere.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.