O Flamengo fez a maior contratação da história do futebol brasileiro. Lucas Paquetá chegou por € 42 milhões — R$ 260 milhões —, com pagamento parcelado até 2028. É um negócio de clube grande, com consequências de clube grande: o orçamento para o restante da janela ficou comprimido, e a prioridade que sobrou — um centroavante — passou a exigir criatividade.
É nesse cenário que o nome de Pedro começa a circular nas conversas de mercado.
O novo treinador muda a equação
Com Leonardo Jardim no comando, o Flamengo revisou o perfil do centroavante que busca. A primeira janela do ano travou por dois motivos: o clube mirou nomes caros demais para o momento e não fechou nenhum acordo. Jardim trouxe mais flexibilidade ao processo — e o foco migrou para o mercado interno, com prazo até 27 de março para atletas oriundos dos estaduais.
O ponto central: o clube não quer um “substituto do Pedro”. Quer um centroavante com características diferentes, capaz de oferecer outra leitura de jogo e reduzir a dependência de um único perfil de ataque. O problema é o mesmo de sempre — atacante de impacto custa caro, e o caixa do ano já tem nome escrito nele: Paquetá.
Por que Pedro entra na conversa financeira
Colocar Pedro “na vitrine” não é o mesmo que decidir vendê-lo. É abrir a porta para ouvir o mercado, precificar o ativo e, se aparecer uma proposta expressiva, usar o valor para bancar a chegada do 9 que Jardim pede — aliviando folha e gerando capacidade de pagamento das parcelas que se acumulam até 2028.

Pedro tem contrato até dezembro de 2027, o que dá ao Flamengo controle da negociação e retira a pressão de vender por prazo. Mas seu valor de mercado estimado em € 18 milhões o torna naturalmente o ativo mais líquido do elenco quando a conversa é sobre financiamento de contratação.
As outras saídas que o Flamengo pode usar
Venda não é o único caminho. O clube pode recorrer ao empréstimo com obrigação de compra por metas — modelo que adia o impacto financeiro maior e encaixa bem num ano em que o caixa já foi comprometido.
Há ainda a opção de troca com compensação, usando jogadores de menor utilização como moeda. E, em último caso, o próprio parcelamento agressivo: o precedente de Paquetá mostra que o Flamengo tem capacidade de negociar em parcelas longas quando a receita sustenta.
O risco de errar o timing
Mexer no status de Pedro sem ter o substituto encaixado é o pior cenário possível. O Flamengo não busca um jogador igual — busca um perfil diferente. Se a saída vier antes da chegada, o clube troca estabilidade por incerteza num setor que precisa gerar gols.
O roteiro mais racional é o inverso: encontrar o centroavante por via viável primeiro, e só então decidir se mantém Pedro como concorrência interna — ou aceita uma proposta que mude a matemática de vez.
O dilema do gigante sul-americano
O Flamengo comprou Paquetá como aposta de Copa do Mundo e de título. Agora precisa completar o elenco sem inflar ainda mais o passivo. O nome de Pedro aparece nessa equação não por falta de futebol, mas porque no mercado a pergunta raramente é “quem joga melhor” — e quase sempre é “quem paga o próximo passo”.