O Flamengo atravessa uma daquelas crises onde o resultado ruim em campo destampa a panela de pressão dos bastidores. Longe dos microfones, o clima no Ninho do Urubu é de forte incômodo: parte do elenco está irritada com a forma como a pré-temporada foi “atropelada” e com o rodízio imprevisível promovido pelo técnico Filipe Luís.
O que era para ser um início de 2026 focado em preparação física virou uma sequência de decisões emergenciais, falta de diálogo e cobranças duras da diretoria, criando um ambiente de desconfiança e ruído interno entre os jogadores milionários do plantel rub-negro.
A raiz do problema nasceu em janeiro. O plano original do Flamengo era dar 15 dias de treinos limpos para o elenco principal antes da estreia no Brasileirão. Para isso, o clube usou o time Sub-20 nas rodadas iniciais do Campeonato Carioca.
A estratégia foi um desastre. O Sub-20 fez uma péssima campanha, afundou na lanterna e flertou com o quadrangular do rebaixamento. A crise forçou o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) a intervir diretamente no futebol: ele ordenou o retorno antecipado do time principal para apagar o incêndio no clássico contra o Vasco. O resultado prático? A pré-temporada sumiu e virou uma maratona de sobrevivência.
Rodízio “às Cegas” e o Ruído no Vestiário
A falta de lastro físico cobrou a conta rapidamente, obrigando Filipe Luís a fazer um rodízio constante para evitar lesões de peças-chave como Jorginho, Varela e Luiz Araújo. No primeiro mês após a reapresentação, o Fla fez 7 jogos intensos (com 3 vitórias, 3 derrotas e 1 empate), um desgaste muito superior ao do mesmo período em 2025.
O problema é como esse rodízio é comunicado. Jogador sem sequência vira jogador desconfortável. O atacante Cebolinha expôs publicamente a fratura na comunicação ao revelar que o time costuma descobrir quem vai ser titular apenas na preleção, horas antes da partida. Essa sensação de “loteria” e imprevisibilidade destruiu a confiança de quem disputa posição.
A “Sombra” de Bap e a Crise de Processo
A mudança de temperatura política jogou gasolina na fogueira. O presidente Bap intensificou sua presença no CT, exigindo resultados imediatos em reuniões descritas como duras e ríspidas.
A combinação é explosiva: treino curto + técnico improvisando escalações + cobrança presidencial altíssima + elenco caríssimo. O discurso de cima para baixo é de que “não tem desculpa”, mas o sentimento de baixo para cima é de que falta organização.