O Flamengo decidiu que não vai apertar o botão de pânico agora, mas a guilhotina já está armada no Ninho do Urubu. Após a traumática perda da Recopa Sul-Americana para o Lanús (com direito a derrota por 3 a 2 em pleno Maracanã) e o vice da Supercopa para o Corinthians, a diretoria rubro-negra escolheu bancar a permanência de Filipe Luís no comando técnico.
A mensagem interna, no entanto, veio acompanhada de um asterisco gigante: a paciência está esgotando. O presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) subiu o tom das cobranças e deixou claro que, com a manutenção do elenco campeão e os investimentos astronômicos em reforços, os próximos jogos não são apenas compromissos de tabela, são a linha de corte do trabalho.
A avaliação do departamento de futebol rubro-negro é de que uma demissão agora transformaria a crise em um terremoto incontrolável. A diretoria entende que ainda há tempo hábil para Filipe Luís recuperar o prestígio e organizar o time taticamente.
O problema é que a pergunta nos corredores da Gávea mudou drasticamente. Ninguém mais questiona “se vai dar certo”, mas sim “até quando vai a paciência”. O Flamengo exige uma reação imediata em desempenho e resultado para evitar que a temporada de 2026 seja jogada no lixo antes mesmo de engrenar.
A “Sombra” de Bap e o Fantasma de Klopp
O que torna o ambiente ainda mais asfixiante é a mudança de postura do presidente. Bap aumentou sua presença física no Ninho do Urubu e endureceu as reuniões com a comissão técnica, o diretor José Boto e os líderes do elenco.
Há um incômodo real dos atletas com as decisões do dia a dia e com a falta de diálogo da comissão, gerando um ruído perigoso no vestiário. Para piorar a pressão, Bap deu uma declaração recente afirmando que deseja manter Filipe Luís, mas que não o imagina no cargo por “dez anos”, chegando a citar retoricamente o nome do alemão Jürgen Klopp como exemplo de mercado. A fala, mesmo que hipotética, cravou que o cargo não tem blindagem eterna.
O Divisor de Águas: Carioca Vira Obrigação
Sem margem para erro, o Flamengo transformou o Campeonato Carioca na régua de sobrevivência do treinador. Com a vaga na final estadual praticamente carimbada após o 3 a 0 sobre o Madureira no jogo de ida, a partida de volta (marcada para a próxima segunda-feira, 2 de março) e a grande decisão viraram o verdadeiro divisor de águas.
No Flamengo sob pressão, título estadual funciona como anestesia. Tropeçar no Rio de Janeiro, neste momento, seria o gatilho final.
A decisão de manter Filipe Luís faz todo sentido político e esportivo: demitir um ídolo no calor de um vexame continental soa mais como tentativa de “apagar incêndio” do que gestão de futebol. Mas o Flamengo de 2026 vive o clássico roteiro de um gigante em chamas: quando o presidente sai do escritório e vai para a porta do vestiário cobrar desempenho, o relógio do treinador acelera o dobro.