A panela de pressão no Flamengo acaba de atingir o limite máximo a poucas horas da decisão da Recopa Sul-Americana contra o Lanús. Além da obrigação de reverter o placar no Maracanã, o clube agora lida com uma bomba-relógio no vestiário: Pedro e outros líderes do elenco estão profundamente irritados com a diretoria por promessas de valorização salarial que foram “esquecidas” na gaveta.
O clima pesou de vez quando o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) foi ao Ninho do Urubu para fazer cobranças duras ao diretor José Boto, ao técnico Filipe Luís e aos jogadores pelo início de temporada abaixo do esperado. O problema é que o grupo sentiu que a cobrança veio de quem não cumpriu a própria palavra.
De acordo com o jornalista Julio Miguel Neto, do podcast Diz Fla, a raiz da insatisfação é antiga. Vários titulares e medalhões fizeram uma espécie de “força-tarefa” para permanecer no clube, rejeitando sondagens com a garantia de que passariam por uma recomposição salarial na sequência. A promessa não saiu do papel.
O caso de Pedro é o mais sensível. Artilheiro e referência, o camisa 9 possui vencimentos considerados defasados em relação às outras estrelas do elenco. O atacante esperava ser chamado para discutir a renovação, algo que já estava alinhado com o diretor José Boto, mas que esbarrou na falta do “ok” final do presidente Bap. A sensação do jogador é de total desprestígio.
Reunião a Portas Fechadas com Pedro (Sem Filipe Luís)

A reação do grupo foi imediata. Segundo a coluna do jornal O Dia, os líderes do elenco organizaram uma reunião exclusiva apenas entre os jogadores, barrando a presença da comissão técnica de Filipe Luís. O objetivo foi discutir os rumos do time, o peso das cobranças de Bap e a falta de diálogo aberto no dia a dia.
Reportagens recentes do ge já apontavam que parte do elenco está incomodada com as decisões da direção de futebol e com a comunicação engessada, transformando o CT em um ambiente de desconfiança mútua.
O Contraste Doloroso dos R$ 260 Milhões no Flamengo
O que mais inflama o vestiário é a justificativa da diretoria para a cobrança. Bap e seus pares argumentam que “investiram alto e precisam de entrega”. E os números não mentem: o Flamengo gastou cerca de R$ 260 milhões apenas na contratação astronômica de Lucas Paquetá.
Para os líderes que “seguraram a bronca” nos anos anteriores, ver o clube abrir os cofres para quem chega de fora enquanto trava as promessas feitas a quem já está no Ninho soa como uma quebra direta de lealdade.
O Flamengo está flertando com o perigo na hora errada. Cobrar um elenco campeão faz parte do futebol, mas cobrar um elenco campeão que se sente enganado é pedir para perder o controle do vestiário. No nível em que o Flamengo opera, “valorização” não é apenas colocar mais dinheiro na conta de Pedro; é um sinal de hierarquia, respeito e manutenção do pacto interno.