O futebol pune quem tem certeza demais. Em dezembro, Everton Cebolinha estava com as malas prontas, na lista de “negociáveis” do Flamengo. Dois meses depois, o cenário virou de cabeça para baixo: o camisa 11 começou 2026 voando, decidiu jogo e agora a diretoria corre desesperada para marcar uma reunião de renovação.
O motivo da pressa não é só o bom futebol: é o medo. Com contrato terminando no fim deste ano, Cebolinha virou uma bomba-relógio que pode explodir no colo da gestão se não for desarmada logo.
Do “Adeus” ao Protagonismo no Flamengo
A reviravolta foi rápida e brutal.
- Dezembro/25: O clube admitia ouvir propostas. O salário alto e a falta de minutos eram problemas.
- Fevereiro/26: Cebolinha ressurgiu. Contra o Vitória (2 a 1), foi decisivo com gol e assistência.
O Flamengo percebeu que, no mercado inflacionado de hoje, recuperar um jogador de € 7 milhões (R$ 43 milhões) que já está no elenco sai mais barato do que contratar um novo.
O Perigo do Pré-Contrato em Julho
Aqui mora o pesadelo da diretoria. O vínculo de Cebolinha vai até 31 de dezembro de 2026. Isso significa que, a partir de julho, ele pode assinar um pré-contrato com qualquer clube do mundo e sair de graça. Para um jogador que custou mais de € 13,5 milhões (compra do Benfica) aos cofres rubro-negros, perdê-lo a custo zero seria um atestado de incompetência financeira. Por isso, a reunião de renovação virou prioridade máxima na Gávea. O Grêmio segue de olho na movimentação e sonha com a volta do ídolo.
A “Guerra” da Renovação
O que está na mesa agora?
- Prazo: Especula-se um novo vínculo longo (talvez até 2030) para diluir o investimento.
- Valorização: O jogador, ciente de sua nova fase e do poder que tem na mão (a liberdade em julho), vai cobrar caro.
- Concorrência: Mesmo com a sombra de Samuel Lino e Bruno Henrique, Cebolinha provou que tem o “um contra um” que o time precisa para abrir defesas fechadas.
O Flamengo quase cometeu o erro de se desfazer de um talento raro por impaciência. Agora, a bola está com Cebolinha.
Ele tem a faca e o queijo na mão: está jogando bem, a torcida voltou a apoiar e o contrato está acabando. A diretoria vai ter que suar (e pagar) para manter o ativo que ela mesma desvalorizou meses atrás. É a lei do mercado: quem não cuida do patrimônio quando está em baixa, paga o dobro quando ele volta a valer ouro. Renovar é obrigação, nem que seja para vender melhor depois. Perder de graça? Jamais.