O Flamengo decidiu não pagar para ver. Diante do risco de perder uma promessa da base de graça no fim do ano, a diretoria rubro-negra deu “sinal verde” e encaminhou a venda do zagueiro Iago para o Orlando City, da MLS.
O acordo foi fechado por US$ 1,5 milhão. Dependendo da cotação do dólar considerada na operação, o valor gira entre R$ 7 milhões e R$ 8,6 milhões. O zagueiro, que era capitão no Sub-20, viaja para os Estados Unidos para assinar contrato de quatro temporadas.
A Estratégia do “Meio a Meio” no Flamengo
O Flamengo não está vendendo 100% do jogador. A negociação envolve a venda de 50% dos direitos econômicos.
- O Lucro Imediato: O clube garante milhões no caixa agora.
- O Trunfo Futuro: Ao manter uma fatia do passe (e com a MLS funcionando como vitrine para a Europa), o Flamengo torce para que Iago estoure nos EUA. Se ele for revendido para um gigante europeu depois, o Rubro-Negro lucra de novo.
Há ainda um detalhe de bastidor: o Flamengo possui 60% dos direitos (o resto é do Volta Redonda) e tem uma cláusula para comprar mais 10% por apenas R$ 500 mil, o que pode aumentar a margem de lucro líquido na operação final.
Por que vender agora?

A venda tem um motivo urgente: o relógio. O contrato de Iago termina em breve. Se não fosse negociado agora, ele poderia assinar um pré-contrato com qualquer clube no meio do ano e sair sem deixar um centavo na Gávea. Além disso, o aspecto técnico pesou. Apesar de ser visto como liderança na base, Iago não ganhou sequência com Filipe Luís no time principal, ficando atrás na fila de zagueiros.
Destino: Disney e Vitrine
O Orlando City não é um destino aleatório. O clube é estruturado, tem o técnico Óscar Pareja com trabalho longo (renovado até 2028) e joga em uma liga que virou “ponte” para jovens sul-americanos saltarem para a Europa. Para Iago, é a chance de jogar e ganhar em dólar. Para o Flamengo, é a saída pragmática: transformar um reserva com contrato no fim em dinheiro vivo.
Análise Moon BH: Venda ou Gestão de Risco?
A leitura fria é simples: esse negócio não é “venda técnica”, é gestão de crise contratual. O Flamengo identificou que Iago estava num ponto perigoso da curva — sem jogar no profissional, com contrato acabando e mercado sondando.
Entre arriscar renovar caro para deixá-lo no banco ou perder de graça em dezembro, a diretoria escolheu a terceira via: monetizar agora. O torcedor sempre reclama de vender a base “barato”, mas a planilha não mente. R$ 8 milhões por metade de um zagueiro que sairia de graça daqui a 6 meses é um negócio que salva o caixa, mesmo que doa no coração de quem queria vê-lo titular.