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Flamengo: Bastidores da pressão que fez preço de Paquetá cair para R$ 255 milhões

Quem olha o valor de € 41,2 milhões (R$ 255 milhões) pode achar que o Flamengo pagou exatamente o que o West Ham queria. Não é verdade. Os ingleses começaram a novela pedindo cerca de € 45 a 50 milhões e exigindo condições leoninas. Se o acordo está próximo agora, é porque o clube londrino piscou primeiro no “braço de ferro”.

O West Ham não reduziu a pedida por simpatia ao Flamengo. O recuo foi estratégico. A diretoria inglesa percebeu que o custo de manter Paquetá (insatisfeito e desvalorizado pelo histórico recente) tornou-se maior do que o custo de ceder alguns milhões na mesa de negociação.

Os 4 Pilares da “Vitória” Rubro-Negra

O Flamengo operou com paciência, sabendo que o tempo jogava a seu favor. Entenda o que forçou o West Ham a aceitar a oferta:

1. O “Pedido de Sair” (Transfer Request Tácito)

A imprensa inglesa confirma: Paquetá pediu para voltar. Ter um jogador desse calibre insatisfeito no vestiário é um problema gestacional grave, ainda mais num time que briga na parte de baixo da tabela ou busca reestruturação. O Flamengo usou o desejo do atleta como alavanca: “Ou vocês vendem para nós, ou ficam com um problema milionário na mão”.

2. O Risco “FA” e a Desvalorização

Paquetá foi inocentado das acusações mais graves de manipulação, mas punido por violações administrativas (Regra F3). Para o mercado europeu (especialmente o Manchester City, que era o interessado original), qualquer “mancha” afasta o investimento. O Flamengo se tornou o único comprador viável disposto a pagar alto. O West Ham entendeu que não haveria leilão.

3. A Necessidade de Caixa (Fair Play)

Foto: CBF

O clube londrino gastou muito nas últimas janelas e precisa reequilibrar as contas para buscar novos reforços. Vender Paquetá agora é a injeção de liquidez necessária para corrigir o elenco deles. Segurá-lo significaria travar o próprio planejamento.

4. O Relógio da Janela

A janela europeia fecha antes da brasileira. O Flamengo podia esperar; o West Ham, não. Se os ingleses não vendessem agora, teriam que esperar até o meio do ano, correndo o risco de uma lesão ou desvalorização maior. O Flamengo jogou com o cronômetro, forçando a decisão.

O Que Falta: O Último Entrave

Como o presidente Bap confirmou, o valor está acertado. O West Ham cedeu no preço, mas tenta recuperar a “vantagem” na forma de pagamento. Eles querem garantias bancárias robustas e parcelas curtas. O Flamengo, ciente de que é o dono da caneta agora, tenta alongar o prazo para não sufocar o caixa de 2026.

Análise Moon BH: Negócio de Risco Calculado: O Flamengo está prestes a fechar a maior compra da história do Brasil porque soube ler o momento de fraqueza do vendedor. O West Ham tentou impor condições (como o empréstimo de volta até o meio do ano), mas o Flamengo resistiu. A chegada de Paquetá não é apenas técnica; é a prova de que o Rubro-Negro hoje tem tamanho para sentar na mesa com a Premier League e dizer: “O preço é esse, pegar ou largar”. E o West Ham pegou.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.