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Guerra de números no Botafogo: um lado fala em R$ 3 bilhões e a SAF rebate

O debate sobre a dívida da SAF do Botafogo virou guerra de critério.De um lado, circulou o número de R$ 3 bilhões, associado a reportagens de O GLOBO. Do outro, a SAF respondeu em nota oficial dizendo que esse montante “não procede”, que o valor real estaria “seguramente” perto de metade disso e que o clube está em um patamar de endividamento “mais saudável”, hoje entre 1 e 2 vezes a receita.

A confusão nasce porque “dívida” pode significar coisas diferentes.

De onde pode nascer o número de R$ 3 bilhões no Botafogo

Sem a memória de cálculo do jornal aberta publicamente, a leitura técnica mais segura é esta: o número maior tende a olhar para o passivo global bruto, enquanto a defesa da SAF tenta enquadrar a conta por capacidade de geração de receita e pela natureza dos compromissos.

Isso ajuda a entender a briga.

Em janeiro, o cenário já era pesado: a própria crise financeira da SAF vinha sendo tratada com passivo de pelo menos R$ 1,5 bilhão, dos quais R$ 700 milhões eram de curto prazo. Se agora surgiu um número ainda maior, a diferença provavelmente está em um critério mais amplo, que pode somar parcelas futuras de compras de jogadores, financiamentos, obrigações de longo prazo e outros compromissos ainda a vencer. J

á a SAF rebate dizendo que boa parte desse passivo está ligada a investimentos em atletas, ou seja, ativos que ainda podem gerar retorno esportivo e financeiro. Essa conclusão é uma inferência a partir da nota oficial e dos números publicados anteriormente sobre a recuperação judicial.

Dívida global não é a mesma coisa que dívida de curto prazo

Aqui está o ponto que mais interessa ao torcedor.

A dívida global é a fotografia do passivo total. Ela mostra o tamanho da conta, mas não diz, sozinha, qual boleto vence agora. Já a dívida de curto prazo é a que aperta o caixa no presente. É ela que costuma virar urgência, atraso, negociação emergencial e, no futebol, risco de transfer ban.

O caso do Botafogo deixa essa diferença muito clara.

A dívida por Thiago Almada já gerou transfer ban, foi renegociada com entrada de US$ 10 milhões e mais quatro parcelas de US$ 5 milhões, mas a segunda parcela voltou a preocupar porque o clube não tinha o valor em caixa no prazo.

Em paralelo, a Fifa condenou o Botafogo a pagar cerca de R$ 35 milhões ao Zenit pela compra de Artur, com risco de novo transfer ban se não houver solução. Ou seja: o problema que machuca a temporada não é apenas o tamanho do passivo total. É a capacidade de pagar o que vence agora.

O que a SAF tenta sustentar com a nota oficial

A defesa do Botafogo segue uma linha bem clara.

O clube diz que a maior parte da “dívida” está em pagamentos a vencer por contratações de jogadores, que o elenco principal e a base valeriam hoje mais de R$ 1,2 bilhão, que o passivo herdado do clube social foi reduzido em R$ 600 milhões e que o acordo de acionistas impõe limite de endividamento que estaria sendo respeitado. É daí que vem a expressão “patamar mais saudável”.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.