HomeEsportesBotafogoBotafogo: Ares Management negocia dívida de € 250 milhões com Textor

Botafogo: Ares Management negocia dívida de € 250 milhões com Textor

A gestora de investimentos norte-americana Ares Management iniciou tratativas para uma renegociação de dívida com a Eagle Football, holding controlada por John Textor. O movimento do fundo credor possui impacto direto na saúde financeira da SAF do Botafogo, que sofre os reflexos do estrangulamento de caixa da rede multiclubes do empresário.

A operação não representa a entrada de um novo investidor injetando capital líquido no Rio de Janeiro, mas sim a reestruturação global de um passivo que trava o desenvolvimento do projeto alvinegro.

O peso da gestora e a origem do crédito

A Ares é uma das maiores gestoras de ativos alternativos do mercado global, administrando cerca de US$ 623 bilhões. No cenário do futebol, a empresa possui histórico recente de crédito envolvendo o financiamento de US$ 500 milhões ao Chelsea e a participação em 34% da holding que controlava o Atlético de Madrid.

O vínculo com a Eagle Football originou-se no financiamento de € 425 milhões para a aquisição do Lyon, da França, em 2022. Após amortizar parte do saldo devedor com a venda de sua participação no Crystal Palace, a holding de John Textor ainda possui uma pendência estimada em € 250 milhões com a gestora. O equacionamento desse valor é o centro da atual negociação.

O reflexo no fluxo de caixa da SAF do Botafogo

A pacificação da cobrança internacional reduziria o risco sistêmico sobre a Eagle Football. A estabilização da dívida melhora a nota de crédito da holding, abrindo caminho para a captação de novos financiamentos emergenciais capazes de irrigar as operações locais, como o Botafogo.

Atualmente, o clube carioca enfrenta um asfixiamento de curto prazo. A gestão registra atrasos em parcelas de contratações recentes — a exemplo do compromisso com o Atlanta United por Thiago Almada — e convive com o risco de punições na Fifa (transfer ban) envolvendo operações de aquisição de jogadores como Artur, Luiz Henrique, Montoro e Arthur Cabral.

O mercado de crédito recuou diante da SAF botafoguense nos últimos meses justamente pelo receio de que novos investidores entrassem em conflito jurídico com a própria Ares Management na fila de credores da rede.

As travas societárias e o cenário esportivo

A efetivação de qualquer reestruturação financeira exige a superação de barreiras institucionais internas. O Botafogo atravessa um conflito societário levado à câmara de arbitragem. O clube associativo, que detém 10% da SAF, possui poder de veto e precisa autorizar mudanças estruturais relevantes ou a entrada de novos fundos no bloco de controle.

Enquanto a engenharia financeira é desenhada nas instâncias globais, o departamento de futebol do Botafogo tenta restabelecer a normalidade operacional. O clube segue no mercado em busca de um treinador para substituir Martín Anselmi, operando sob uma rígida contenção de despesas imposta pela crise de seus controladores.

Esportes Redação
Esportes Redação
Jornalista esportivos que trabalham há mais de 15 anos na cobertura diária dos principais clubes brasileiros, com foco em Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Botafogo.