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Atlético e Cruzeiro podem vender camisas com bets ou terão de jogar fora?

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As camisas de Atlético e Cruzeiro já produzidas com marcas de casas de apostas podem continuar à venda, dentro das condições esclarecidas pelo governo federal. Isso significa que os estoques com H2bet e Betnacional não precisam ser descartados simplesmente porque essas empresas deixaram de aparecer nos uniformes utilizados pelos jogadores.

A orientação distingue a venda de uma mercadoria fabricada sob as regras anteriores de uma nova ação de publicidade. Para o torcedor, o efeito é concreto: uma camisa ainda pode chegar às suas mãos com o antigo patrocinador, mesmo que o time já entre em campo com outro visual.

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O esclarecimento consta na Nota Técnica nº 3/2026 da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, assinada em 2 de outubro. O documento responde à Associação pela Indústria e Comércio Esportivo, a Ápice, que havia questionado o destino dos produtos incorporados aos estoques antes da mudança nas regras.

É preciso retirar o logo antes de vender?

Nas condições analisadas pela Secom, a venda pode ocorrer com a identificação da antiga patrocinadora. A conclusão alcança peças já fabricadas e presentes nos estoques de fabricantes, distribuidores, varejistas e estabelecimentos comerciais, sem estabelecer a remoção do logotipo como requisito para essa comercialização.

A presença da marca é tratada no documento como “conteúdo legado”. Em termos práticos, trata-se de publicidade incorporada anteriormente ao produto, cuja venda comum ao consumidor não representa, isoladamente, uma nova contratação de exposição para a empresa de apostas.

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Para os clubes mineiros, isso preserva a possibilidade de comercializar uniformes que já estavam prontos. A orientação também alcança a cadeia de lojas e distribuidores, que pode manter a venda dessas peças em estabelecimentos físicos ou pela internet, respeitados os limites da medida.

O estoque antigo não autoriza fabricar novas peças

A liberação é limitada aos produtos abrangidos pela orientação, produzidos antes das novas regras. Ela não abre caminho para fabricar outra remessa com a marca da bet sob o argumento de que ainda existem camisas semelhantes nas lojas.

Também não representa uma renovação dos patrocínios anteriores. Segundo a reportagem do Poder360 sobre o esclarecimento da Secom, o governo separa a comercialização do estoque das iniciativas destinadas a promover ou ampliar a exposição das casas de apostas.

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Essa diferença exige atenção na divulgação dos produtos. Campanhas, ativações promocionais, impulsionamento e utilização de influenciadores para promover as marcas não passam a ser permitidos apenas porque a mercadoria anunciada foi fabricada anteriormente.

A análise considera o que está sendo feito no momento da comercialização. Se a venda servir de instrumento para uma nova ação de promoção da bet, a conduta poderá ser examinada pelos órgãos competentes, conforme ressalva a própria orientação.

Por que a loja pode vender e o jogador muda de camisa?

A nota sobre estoques não autoriza a manutenção das marcas nos uniformes de partidas e treinamentos. Seu objeto é a comercialização das peças já produzidas, e o documento expressamente deixa fora da análise outras formas de exposição vinculadas aos contratos de patrocínio.

Por isso, não há uma equivalência automática entre o produto disponível ao torcedor e a roupa utilizada pela equipe. A venda do estoque segue o entendimento específico apresentado pela Secom, enquanto a exposição comercial nos jogos precisa observar as restrições aplicáveis à publicidade.

O que muda para Atlético e Cruzeiro?

No Atlético, o encerramento da parceria com a H2bet atingiu um acordo que incluía a camisa, roupas de treinamento e presença nos canais digitais. Como mostrou o Moon BH, a reorganização comercial envolve encontrar novos parceiros e definir quais espaços serão oferecidos nas próximas negociações.

No Cruzeiro, a retirada da Betnacional deixou livre o espaço principal da camisa contra o São Paulo, na quarta-feira (7). Os demais patrocinadores permaneceram no uniforme, enquanto o clube avaliava alternativas para a área anteriormente ocupada pela casa de apostas.

A possibilidade de vender os estoques evita que a mudança na publicidade transforme automaticamente produtos prontos em mercadorias sem saída legal. Ela, porém, não recompõe os contratos de patrocínio nem garante que todas as peças serão vendidas: permite que a comercialização continue nas condições estabelecidas.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.