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Cruzeiro queria vender R$ 115 milhões e terminou com uma conta muito maior

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Em maio, o Cruzeiro trabalhava com uma meta que já parecia agressiva: arrecadar aproximadamente R$ 115 milhões com negociações de jogadores durante 2026. Quatro meses depois, o clube não apenas atingiu o objetivo como movimentou mais que o dobro do valor projetado.

As saídas já superam R$ 250 milhões na temporada. Mesmo utilizando R$ 250 milhões como piso, a quantia representa mais de 2,1 vezes a meta inicial estabelecida pela SAF e mostra uma mudança importante na lógica financeira do projeto comandado por Pedro Lourenço.

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O dado atualizado foi levantado pelo ge, que contabiliza operações definitivas e empréstimos remunerados realizados pela Raposa ao longo do ano. A lista inclui negócios com clubes da Alemanha, Itália, Rússia, Ucrânia, Portugal e Inglaterra.

Cruzeiro mudou de comprador para vendedor

A diferença entre a previsão feita em maio e o resultado de setembro ajuda a revelar como a estratégia da SAF evoluiu ao longo da temporada.

Nos primeiros mercados sob o controle de Pedrinho, o Cruzeiro concentrou esforços em aumentar rapidamente o nível técnico do elenco. O clube realizou contratações de alto valor, elevou a folha salarial e chegou ao ápice dessa política ao trazer Gerson em uma operação próxima de R$ 170 milhões.

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O passo seguinte precisava ser diferente. Para que o projeto não dependesse indefinidamente de aportes do proprietário, a SAF começou a tratar vendas como parte estrutural do modelo.

O Moon BH já havia mostrado essa virada em maio, quando a diretoria estabeleceu o objetivo de gerar aproximadamente R$ 115 milhões. O número atual permite medir o quanto aquela estratégia avançou além da previsão inicial.

Kaiki sozinho respondeu por parcela enorme da meta

Lateral do Cruzeiro Kaiki Bruno
Kaiki Bruno – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A maior operação listada no levantamento atualizado envolve Kaiki. O lateral foi negociado com o Como, da Itália, em uma operação avaliada atualmente em aproximadamente R$ 83 milhões.

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O valor sozinho corresponde a mais de 70% de toda a meta que o clube havia estabelecido em maio.

Outras duas transferências elevaram rapidamente a conta. Christian deixou a Raposa rumo ao Krasnodar por cerca de R$ 54 milhões, enquanto Kauã Prates se apresentou ao Borussia Dortmund depois de uma negociação que pode superar R$ 75 milhões considerando valores fixos e variáveis.

A venda de Cauan Baptistella ao Metalist acrescentou aproximadamente R$ 31 milhões. Ryan Guilherme foi para o Rio Ave por cerca de R$ 16 milhões, enquanto Bruno Alves rendeu aproximadamente R$ 2 milhões em seu empréstimo ao Norwich.

Somadas, essas negociações superam os R$ 250 milhões apontados no levantamento.

O detalhe mais importante está nos percentuais mantidos

O dinheiro recebido agora não encerra necessariamente o retorno financeiro desses jogadores.

Em algumas operações, o Cruzeiro preservou participação nos direitos econômicos ou percentual de vendas futuras. Baptistella, por exemplo, foi negociado com manutenção de 30% dos direitos. Ryan Guilherme deixou o clube com a Raposa preservando 10%.

Esse tipo de cláusula altera a lógica da venda. O clube recebe uma quantia imediata, mas continua exposto a uma eventual valorização do jogador no mercado europeu.

É uma estratégia especialmente importante para atletas jovens. Caso eles avancem para ligas maiores por valores superiores, o Cruzeiro pode transformar uma transferência concluída em nova fonte de receita alguns anos depois.

Vender mais não significa automaticamente lucrar mais

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Existe, porém, uma distinção importante. Mais de R$ 250 milhões movimentados em saídas não significam necessariamente R$ 250 milhões líquidos disponíveis imediatamente no caixa.

Algumas operações incluem bônus futuros, parcelas, percentuais pertencentes a outros clubes e obrigações condicionadas. Da mesma forma, as contratações feitas pela SAF também possuem cronogramas próprios de pagamento.

Por isso, comparar diretamente os R$ 250 milhões em vendas com o valor investido em reforços pode produzir uma conclusão simplificada demais.

A tendência relevante está em outra parte.

O Cruzeiro passou os primeiros anos do novo projeto tentando reconstruir valor esportivo. Em 2026, começou a transformar parte desse valor em receita.

A meta de R$ 115 milhões mostrava que a direção já pretendia mudar de fase. Superar R$ 250 milhões antes do fim da temporada indica que a transição aconteceu em velocidade muito maior do que o próprio clube inicialmente projetava.

Depois de gastar para reconstruir o elenco, a SAF finalmente começou a provar se consegue fazer esse elenco também financiar o próximo ciclo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.