Quase um ano depois de uma negociação que chegou a ser tratada como encaminhada e colapsou na última hora, o nome de Matheus Gonçalves voltou à pauta do Cruzeiro.
O jornalista Samuel Venâncio revelou na última quinta-feira, 25 de junho, que o meia-atacante do Al Ahli foi oferecido ao clube celeste nos últimos dias. A informação veio durante a live “Mercadão Celeste” e trouxe um detalhe relevante: segundo o jornalista, o preço pedido pelo jogador seria até maior do que o de Gabriel Pec, o alvo principal da diretoria cruzeirense na janela. A Raposa prioriza o atacante do Los Angeles Galaxy, que custa em torno de 10 a 12 milhões de dólares, e deve fazer uma nova proposta pelo californiano. Matheus, nesse cenário, aparece como uma alternativa que foi colocada na mesa, não como uma prioridade definida.
Uma história que quase aconteceu
Essa não é a primeira vez que Cruzeiro e Matheus Gonçalves chegam perto de um acordo. Em julho de 2025, quando o atacante ainda pertencia ao Flamengo e vivia uma fase de apagamento no profissional do clube carioca, a Raposa entrou em cena com proposta formal de 3,5 milhões de euros por 50% dos direitos econômicos do jogador. A negociação avançou ao ponto de ser tratada como encaminhada por ambas as partes. O presidente do Cruzeiro falou diretamente com o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o BAP. Os valores foram acordados. A proposta foi enviada.
O que veio depois pegou até o próprio Matheus de surpresa. O Flamengo recuou. BAP passou um fim de semana sem atender o presidente cruzeirense e, na segunda-feira, comunicou que o clube havia desistido de vender o jogador. A reação negativa de parte da torcida rubro-negra nas redes sociais foi apontada como fator decisivo para a mudança de postura. O negócio caiu.
Poucas semanas depois, o Flamengo fez o que dizia não querer fazer: vendeu Matheus Gonçalves, mas para o Al Ahli, da Arábia Saudita, por 9 milhões de euros. O clube manteve 20% dos direitos econômicos do jogador. A frustração no lado mineiro foi evidente. O Cruzeiro havia perdido um atacante que queria, com perfil pedido por Leonardo Jardim, por um valor menor do que o que acabou sendo praticado com o clube saudita.
Quem é Matheus Gonçalves
Nascido em Bangu, no Rio de Janeiro, em agosto de 2005, Matheus entrou nas categorias de base do Flamengo aos 12 anos. Versátil, pode atuar pelas duas pontas e como armador. Em 2022, o jornal inglês The Guardian o listou entre os melhores jogadores do mundo nascidos naquele ano. Pelo profissional do Flamengo, acumulou 58 partidas e seis gols antes de ser vendido ao Al Ahli.
No futebol saudita, a adaptação foi rápida. Na primeira temporada, encerrou com 34 jogos, quatro gols e quatro assistências. Foi um dos destaques da campanha do Al Ahli na Champions Asiática 2025-26, com dois gols e duas assistências em nove partidas pelo torneio continental, e saiu campeão. No torneio asiático, chegou a dividir o campo com Riyad Mahrez e foi eleito craque de jogo numa vitória sobre o Al Sadd. Aos 20 anos, completou 100 partidas como profissional durante a campanha continental.
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O rendimento na Saudi Pro League, no entanto, foi mais discreto: um gol e duas assistências na liga doméstica, com 1.157 minutos em campo na temporada. É esse dado que explica parte da oferta ao Cruzeiro: o jogador tem mostrado mais no âmbito continental do que no campeonato local, o que abre espaço para questionamentos sobre o nível do torneio e sobre a real evolução do atleta dentro de campo semana a semana.
O que o Cruzeiro avalia

A chegada de qualquer ponta com boas características de drible e velocidade é uma prioridade real de Artur Jorge. O treinador português precisa de um atleta que possa desequilibrar pelo lado e ser uma opção consistente de criação. Gabriel Pec atende esse perfil de forma mais direta: tem 25 anos, velocidade, capacidade de finalização e é um jogador rodado no futebol americano. Matheus Gonçalves, aos 20 anos, é uma aposta de perfil mais técnico e criativo, mas ainda em construção.
O custo é o problema. Matheus tem contrato com o Al Ahli até junho de 2027. O clube saudita não o classifica como inegociável, mas também não é vendedor urgente. O Flamengo ainda detém 20% dos direitos, o que significa que qualquer negociação futura passa pelo clube carioca. Essa estrutura torna a operação mais complexa do que uma simples compra.
O Cruzeiro sabe disso. A Raposa tem a janela aberta até 20 de julho e prioriza resolver o caso Pec antes de avaliar outras frentes. Se a negociação pelo atacante do LA Galaxy avançar, a conversa sobre Matheus Gonçalves fica em segundo plano. Se travar, o nome volta à mesa com mais força.
Quase um ano depois do negócio que não foi, as partes se reencontram no mercado. Desta vez, o enredo é diferente: Matheus está no exterior, mais experiente, campeão asiático, com uma temporada de dados reais para apresentar. O Cruzeiro tem a mesma necessidade de 2025. A janela é curta. O mercado não espera.





