O Cruzeiro não foi ao mercado apenas para contratar um lateral-esquerdo. Foi buscar uma solução de elenco, uma proteção financeira e uma resposta técnica para uma posição que pode virar problema em pouco tempo. Gabriel Rojas, do Racing, chega ao clube mineiro em uma operação de peso para os padrões do futebol brasileiro. O acordo gira em torno de R$ 30 milhões, de forma parcelada, e prevê vínculo até o fim de 2029. Aos 28 anos, o argentino desembarcará em Belo Horizonte com perfil diferente das apostas jovens que vinham ocupando a faixa esquerda celeste.
O movimento tem uma lógica clara: o Cruzeiro já sabe que Kauã Prates deixará o clube rumo ao Borussia Dortmund em agosto e também entende que Kaiki virou ativo cobiçado na Europa. Ou seja, Rojas não chega para tapar buraco. Chega para impedir que a lateral vire uma emergência no segundo semestre.
Gabriel Rojas chega ao Cruzeiro como lateral de produção ofensiva
Gabriel Rojas é um lateral-esquerdo de origem, canhoto, acostumado a jogar alto e participar da construção ofensiva. No Racing, não era apenas o defensor do setor. Era uma válvula de progressão.
O argentino gosta de receber aberto, acelerar pelo corredor e gerar volume por cruzamentos, passes rasteiros para a área e bolas de retorno na entrada da intermediária. É o tipo de lateral que dá profundidade sem depender apenas de velocidade. Sua força está mais na leitura da jogada, no apoio constante e na qualidade do último passe.
Os números ajudam a explicar o investimento. Na temporada de 2026 da Liga Argentina, Rojas somou 1 gol, 4 assistências e média alta de atuação pelo FotMob. No Racing, aparece como um dos principais criadores do time, algo incomum para um defensor de lado.
Esse dado é importante porque o Cruzeiro de Artur Jorge precisa aumentar as formas de ataque. Quando Matheus Pereira recebe muita marcação por dentro, o time necessita de saídas pelos lados. Quando Kaio Jorge fica cercado entre zagueiros, precisa de abastecimento mais limpo. E quando os pontas são obrigados a voltar demais para construir, a equipe perde presença na área.
Rojas pode ajudar justamente nesse ponto: ele empurra o time para frente sem obrigar o meia a sair tanto da zona central.
O que muda para Kaiki no Cruzeiro
A chegada de Rojas mexe diretamente com Kaiki, mas não significa, por si só, que o brasileiro está fora dos planos.
Kaiki vive um momento de valorização. Foi observado por clubes europeus, recebeu proposta do Betis e tem preço alto definido pela diretoria. O Cruzeiro sabe que o lateral é um dos nomes mais vendáveis do elenco, mas também sabe que perder jogador importante sem reposição pronta costuma custar caro esportivamente.
É aí que Rojas muda a mesa. Antes, uma venda de Kaiki poderia obrigar o clube a correr contra o tempo. Agora, a diretoria ganha poder de negociação. Pode recusar proposta baixa, pode exigir valor mais próximo do que considera ideal e pode, se decidir vender, não desmontar a equipe do dia para a noite.
Do ponto de vista técnico, Rojas e Kaiki podem disputar posição em alto nível. O brasileiro tem explosão, juventude e margem de revenda. O argentino oferece maturidade, experiência internacional e mais repertório de decisão no terço final.
A tendência inicial é que Artur Jorge use a pausa do calendário para observar como o novo reforço se encaixa. Rojas chega com status de contratação cara, mas Kaiki ainda tem desempenho e mercado suficientes para não ser tratado como simples reserva.
Kauã Prates é quem abre o espaço mais claro
Quem mais explica a contratação, na prática, é Kauã Prates. O jovem lateral foi negociado com o Borussia Dortmund e só permanece no Cruzeiro até completar a idade necessária para se transferir em definitivo. Isso criaria um buraco natural no elenco a partir de agosto, justamente quando o Brasileirão volta a ganhar força e as competições de mata-mata entram em fase mais pesada.
A chegada de Rojas antecipa esse problema.
Em vez de esperar a saída de Kauã para depois buscar reposição, o Cruzeiro se movimentou antes. Esse tipo de decisão costuma ser invisível para o torcedor no primeiro momento, mas faz diferença na gestão do elenco. O jogador contratado terá tempo de conhecer o clube, treinar com o grupo e entender os mecanismos de Artur Jorge antes de ser cobrado em jogo decisivo.
O Cruzeiro também reduz o risco de depender apenas de improvisações. Sem Rojas, qualquer problema físico ou venda de Kaiki deixaria o setor vulnerável. Com ele, a lateral esquerda passa a ter uma hierarquia mais segura.


