O gol de Matheus Pereira sobre o Barcelona de Guayaquil valeu mais do que três pontos para o Cruzeiro. A vitória por 1 a 0, na estreia da fase de grupos da Libertadores, recoloca o clube em uma rota emocional e esportiva que estava interrompida havia tempo demais.
Foi a primeira vitória celeste no torneio desde 23 de abril de 2019, quando a equipe bateu o Deportivo Lara por 2 a 0, na Venezuela. Na prática, o Cruzeiro encerrou um jejum de quase sete anos sem vencer pela principal competição do continente — e fez isso fora de casa, num grupo tratado como um dos mais pesados da edição.
Uma noite que mexe com a identidade do clube
O resultado é representativo porque não se trata de um retorno burocrático à Libertadores. O Cruzeiro passou seis anos longe do torneio e voltou em um momento de pressão, depois de dias turbulentos no ambiente interno e de um início irregular no Brasileirão. Vencer logo na largada tem peso de afirmação: o clube resgata a imagem histórica de time copeiro, volta a se sentir competitivo na arena onde construiu parte da sua grandeza e ganha margem de confiança para um grupo em que cada detalhe pode decidir classificação.
A lembrança amarga que ficou para trás
A comparação com 2019 dimensiona ainda mais o tamanho da noite no Equador. O último jogo do Cruzeiro na Libertadores havia sido o empate por 0 a 0 com o River Plate no Mineirão, em 30 de julho de 2019, pelas oitavas de final. A decisão foi para os pênaltis, e os argentinos avançaram após Henrique e David desperdiçarem pelo lado celeste. Uma eliminação dolorosa, em casa, com sensação de oportunidade perdida. Sete temporadas depois, o clube troca essa lembrança amarga por uma estreia que recoloca o projeto em outra temperatura.
A vitória que já rende dinheiro ao Cruzeiro
Há ainda um ponto que pesa muito no futebol atual: dinheiro. Só por disputar a fase de grupos, o Cruzeiro já garantiu US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,15 milhões). Com a vitória sobre o Barcelona, acrescentou mais US$ 340 mil (cerca de R$ 1,75 milhão). Já são US$ 1,34 milhão — aproximadamente R$ 6,9 milhões logo na primeira rodada.
E a conta pode crescer rápido. As oitavas pagam US$ 1,25 milhão, as quartas US$ 1,7 milhão, a semifinal US$ 2,3 milhões e o campeão leva US$ 25 milhões só pela final. No acumulado, o vencedor pode chegar a US$ 40 milhões (cerca de R$ 206 milhões).
Ganhar fora de casa na primeira rodada significa aliviar pressão esportiva e, ao mesmo tempo, começar a construir uma campanha com impacto relevante no caixa. A Libertadores não move só prestígio — ela também movimenta planejamento.
Próximo compromisso em campo
O Cruzeiro volta a campo no domingo, 12 de abril, às 18h30, contra o Red Bull Bragantino, no Mineirão, pelo Brasileirão, com transmissão de SporTV e Premiere.
Depois de uma vitória que encerra um jejum histórico e já injeta dinheiro novo no caixa, a tendência é de um ambiente muito mais favorável para a Raposa tentar transformar a noite continental em ponto de virada também na temporada nacional.