O Cruzeiro chega pressionado para a estreia na Libertadores, e não apenas pelo 4 a 1 sofrido para o São Paulo no fim de semana. Para o duelo desta terça-feira contra o Barcelona de Guayaquil, no Equador, Artur Jorge perdeu duas peças de meio-campo ao mesmo tempo: Lucas Romero, vetado após voltar a sentir problema físico, e Walace, cortado da viagem por punição disciplinar. Além deles, Cássio, Marquinhos e Sinisterra seguem no departamento médico, enquanto Bruno Rodrigues ficou fora por opção da comissão técnica.
Por que as ausências pesam tanto
A perda de Romero vai além do nome. O argentino vinha sendo preparado especificamente para este jogo, mas acabou liberado para retornar a Belo Horizonte e iniciar tratamento. Walace era uma alternativa importante para um setor que agora chega desfalcado a uma partida continental fora de casa.
Em outras palavras: o Cruzeiro perde proteção, combate e parte da segurança na saída de bola em um jogo que já seria fisicamente exigente pela altitude e pela distância.
O tamanho da diferença de elencos
Mesmo com as baixas, o Cruzeiro entra na rodada com vantagem enorme quando o recorte é mercado. No Transfermarkt, o elenco celeste aparece avaliado em € 166,55 milhões (cerca de R$ 994 milhões), enquanto o Barcelona SC de Guayaquil soma € 17,33 milhões (cerca de R$ 103 milhões). A diferença é brutal: o plantel da Raposa vale quase dez vezes mais do que o do adversário equatoriano.
Esse dado não garante desempenho em campo — ainda mais em estreia continental fora de casa —, mas reforça o tamanho do investimento feito pelo clube mineiro para 2026.
Como joga o Cruzeiro de Artur Jorge
No desenho do treinador, o Cruzeiro tenta ser um time mais intenso, vertical e agressivo sem a bola. A análise da vitória sobre o Vitória mostrou um time que fez blitz desde o início, recuperou bolas em zonas mais altas e acelerou as jogadas. Uma mudança importante foi o novo papel de Gerson, que passou a atuar como segundo volante, mais centralizado, alternando espaços com Matheus Henrique para dar mais progressão rápida ao time.
O problema é que esse modelo ainda não estabilizou. Após a boa estreia contra o Vitória, o Cruzeiro foi atropelado pelo São Paulo, e o próprio Artur Jorge admitiu preocupação com a falta de consistência. Sem Romero e Walace, o time tende a depender ainda mais de Matheus Henrique, Lucas Silva e do próprio Gerson para equilibrar marcação e construção.
O que muda para o jogo no Equador
Na prática, o Cruzeiro deve ser um time menos físico na proteção da defesa e mais obrigado a controlar o jogo pela circulação e pela qualidade técnica. Isso pode empurrar a Raposa para um comportamento mais cauteloso fora de casa, mesmo sem abandonar a verticalidade que Artur Jorge quer implantar.