HomeEsportesCruzeiroCruzeiro: Artur Jorge quer Gerson jogando no mesmo estilo no Flamengo

Cruzeiro: Artur Jorge quer Gerson jogando no mesmo estilo no Flamengo

A estreia de Artur Jorge já deixou uma pista importante sobre o novo Cruzeiro: Gerson será mais cérebro do que ponta de lança. Na vitória por 3 a 0 sobre o Vitória, no Mineirão, o camisa 11 foi deslocado para atuar como segundo volante, mais centralizado e mais ligado à saída de bola. A mudança ajudou o time a ter mais controle e foi uma das novidades táticas mais claras da primeira partida do novo treinador.

Os números que explicaram a nova função

Gerson ficou 82 minutos em campo e foi protagonista discreto e eficiente: 85 ações com a bola, 94% de aproveitamento nos passes, 44 conduções e cinco recuperações. Não foi a atuação de um jogador que aparece toda hora na área — foi a de quem organiza o time, acelera a primeira construção e dá estabilidade ao meio.

Para um atleta que custou ao Cruzeiro 27 milhões de euros fixos (cerca de R$ 162 milhões), com possibilidade de chegar a 30 milhões de euros (cerca de R$ 180 milhões), era exatamente esse tipo de protagonismo que o clube queria começar a enxergar.

O que Artur Jorge mudou no papel de Gerson

A principal diferença está no ponto de partida. Com Artur Jorge, Gerson recebeu mais bola por dentro, alternou espaços com Matheus Henrique e passou a funcionar como elo entre defesa e ataque. A ideia conversa com o que o treinador já avisou em sua apresentação: o Cruzeiro “não vai jogar da mesma forma” e precisa potencializar melhor as características do elenco.

Após a vitória, Christian reforçou o recado ao dizer que o novo técnico quer um time intenso, para frente e pressionando. Nesse cenário, Gerson tende a ser o meio-campista que dá direção ao jogo antes de a bola chegar aos homens mais criativos.

Como isso difere da fase dele no Flamengo

No Flamengo, especialmente em recortes mais recentes, Gerson foi usado em várias alturas do campo: pela direita, pela esquerda, por dentro e chegando como elemento surpresa na área. Era um jogador mais solto e mais ligado ao último terço.

A mudança de Artur Jorge resgata a memória da melhor versão do meia, em 2019, quando ele brilhou como segundo volante — construindo, carregando e pressionando sem ficar preso a uma função de lado. A diferença agora é que, no Cruzeiro, a responsabilidade estrutural é ainda maior: não apenas participar do jogo, mas fazer o time jogar.

O que muda no Cruzeiro daqui para frente

Se a tendência se confirmar, o Cruzeiro ganha um meio-campo mais equilibrado e um Gerson menos espalhado, porém mais influente. Isso pode liberar jogadores mais agressivos perto da área, melhorar a pressão pós-perda e dar mais fluidez a um time que ainda busca consistência.

A primeira resposta foi boa, mas o Cruzeiro segue em 18º lugar, com sete pontos — o que mostra que a mudança tática ainda é só o começo.

Próximo compromisso em campo

O Cruzeiro enfrenta o São Paulo neste sábado, 4 de abril, às 18h30, no Morumbis, pela 10ª rodada do Brasileirão, com transmissão do Premiere.

Será um teste mais pesado para a nova função de Gerson: fora de casa, contra um rival de parte alta da tabela, o time precisará confirmar que a boa estreia de Artur Jorge não foi só impacto de troca de comando — mas o início real de uma nova cara para a Raposa.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.