Everton Cebolinha voltou a ser um nome capaz de mexer com dois mercados ao mesmo tempo. De um lado, o Grêmio mantém o apelo emocional de um retorno do atacante revelado em Porto Alegre. Do outro, o Cruzeiro já demonstrou interesse real no jogador nas conversas com o Flamengo por Kaio Jorge e segue como clube que pode reaparecer se a situação contratual ficar ainda mais favorável.
O ponto central é que o camisa 11 tem vínculo com o Rubro-Negro só até 31 de dezembro de 2026 e, se não renovar, poderá assinar um pré-contrato com qualquer equipe a partir de julho de 2026, para sair sem taxa em janeiro de 2027.
Hoje, o valor de mercado de Cebolinha no Transfermarkt é de 7 milhões de euros. É um patamar menor do que o investimento feito pelo Flamengo em 2022, quando o clube o comprou do Benfica por 13,5 milhões de euros fixos, com a operação podendo chegar a 16 milhões de euros em metas.
Por que Cebolinha ainda mexe com Grêmio e Cruzeiro
O Grêmio olha para Cebolinha por razões óbvias: identidade, memória técnica e uma carência antiga por um ponta capaz de ganhar duelo no um contra um. O próprio jogador já confirmou procura gremista no passado e segundo a apuração do Moon BH, ele tem preferência por permanecer no futebol brasileiro quando deixar o Flamengo.
Para o Cruzeiro, o atrativo passa menos pela história e mais pela oportunidade de mercado. O clube mineiro gostou do nome no fim de 2025, quando o Flamengo tentou incluí-lo numa engenharia por Kaio Jorge, e isso colocou a Raposa de vez no mapa do atacante.
A conta que pesa para ambos os clubes, em realidades diferentes

O maior obstáculo para qualquer rival brasileiro não é só a taxa de transferência. É também a folha. O Flamengo não divulga oficialmente os vencimentos de Cebolinha, mas estimativas publicadas recentemente colocam o salário do atacante entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão por mês.
Para o Grêmio, isso significaria colocar o atacante imediatamente na elite salarial do elenco. Para o Cruzeiro, que tem maior poder de investimento desde a SAF, ainda assim seria um contrato de prateleira alta para um jogador que não chega como certeza absoluta de protagonismo.
Esse peso financeiro ainda ganha outro componente: o encaixe esportivo. Cebolinha perdeu espaço com Leonardo Jardim, porque o técnico passou a priorizar um Flamengo mais compacto, com pontas atacando por dentro e mais gente preenchendo a área. Desde essa mudança, a frequência do atacante como titular caiu. Isso ajuda a explicar por que Grêmio e Cruzeiro podem enxergar oportunidade, mas também por que nenhum dos dois deve pagar qualquer valor sem forte desconto ou sem abertura contratual mais clara.
Como o Flamengo evita perder Cebolinha sem retorno
A proteção do Flamengo é simples na teoria e delicada na prática: renovar antes de julho ou vender na janela do meio do ano. O problema é que a diretoria, hoje, não planeja se movimentar pela renovação e entende que o primeiro passo teria de partir do atleta.
Se essa posição continuar, o clube entra no segundo semestre praticamente sem escudo de negociação. A partir daí, Grêmio, Cruzeiro ou qualquer outro interessado ganham força para esperar janeiro de 2027 e levar o jogador sem compensação financeira.