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Cruzeiro vive luxo de seleção e tem meio de campo de mais de € 24 milhões

O Cruzeiro montou um setor de meio-campo que custa caríssimo dentro das quatro linhas, nas vitrines do mercado e, principalmente, nos balanços contábeis da instituição. Atualmente, o portal especializado Transfermarkt avalia Gerson em impressionantes € 20 milhões, enquanto Matheus Henrique bate a marca dos € 4,5 milhões. Juntos, eles somam € 24,5 milhões em valor de mercado, consolidando-se como os ativos mais valiosos e pesados da reconstrução celeste.

O impacto dessa dupla no caixa da Toca da Raposa fica ainda mais evidente quando os números das aquisições são dissecados.

A conta astronômica da Era Pedrinho

Desde que assumiu o comando absoluto da SAF, o empresário Pedro Lourenço acelerou brutalmente os gastos, superando a barreira dos R$ 500 milhões em contratações. O miolo do campo celeste exigiu um esforço hercúleo de investimento:

Gerson: Comprado junto ao Zenit (Rússia) por pesados € 27 milhões fixos, com a possibilidade de atingir mais € 3 milhões em bônus por metas, consolidando a maior contratação da história do futebol brasileiro. A operação ainda envolveu cerca de € 2,7 milhões (10%) apenas em taxas de intermediação.

Jogador do Cruzeiro Gerson concentrado durante o treino
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Matheus Henrique: Retirado do Sassuolo (Itália) por cerca de € 6 milhões fixos, com um teto de € 8 milhões atrelado a metas esportivas.

Somadas, essas duas operações colocam o setor criativo do Cruzeiro em uma assombrosa faixa de investimento que passa dos € 33 milhões fixos e pode esbarrar nos € 38 milhões.

O “Fair Play” interno e a busca por sustentabilidade no Cruzeiro

O grande debate nos corredores da SAF não é sobre a capacidade de pagar essa conta hoje, mas sim sobre a sustentabilidade do modelo. O aporte bilionário de Pedrinho funciona como uma alavanca emergencial para encurtar o caminho competitivo do clube, mas não é um salvo-conduto eterno.

A diretoria cruzeirense estabeleceu um horizonte claro de até oito anos para alcançar a autossustentação financeira. O clube aceita abrir os cofres por estrelas como Gerson e Matheus Henrique porque entende que eles entregam um retorno triplo: elevam drasticamente o nível técnico, valorizam o elenco como um ativo patrimonial e aumentam as chances de arrecadação máxima com premiações, novos patrocinadores e campanhas longas na Libertadores.

A trava regulatória da CBF e o teto da folha

O Cruzeiro também opera sob a sombra do novo Fair Play Financeiro anunciado pela CBF no fim de 2025. As novas regras preveem a limitação da folha salarial com base na média semestral e exigem que os gastos nas janelas de transferências sejam proporcionais ao que o clube arrecada com vendas de atletas.

Embora o teto salarial do clube gravite em torno dos R$ 20 milhões estipulados por Pedrinho, a pressão regulatória obriga a SAF a planejar seus movimentos com disciplina militar. Matheus Henrique (contrato até 2029) representa o ativo “racional”, com alto valor de revenda futura. Gerson, por sua vez, é o ativo premium que exige retorno esportivo rápido e imediato. O Cruzeiro comprou o luxo de uma seleção; agora, o desafio é provar que sabe monetizar o que comprou sem criar uma dependência eterna do bolso de seu mecenas.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.