O clima de festa pelo título do Campeonato Mineiro do Cruzeiro veio acompanhado de um desabafo explosivo. Se na sexta-feira Pedro Lourenço (Pedrinho BH) adotou um tom frio para blindar o elenco antes da decisão contra o Atlético-MG, no domingo (8), com a taça nas mãos, o dono da SAF celeste resolveu cobrar a conta da ida de Leonardo Jardim para o Flamengo.
Sem meias palavras, o empresário escancarou a mágoa com o português, cravando uma frase que já virou manchete: “Eu sempre falo que o futebol eu tenho que fazer curso, porque é difícil para mim, as verdades não duram 24 horas. Então é meio complicado“.
A promessa quebrada e o sentimento de abandono
A irritação da cúpula celeste tem um motivo claro. Quando deixou a Toca da Raposa alegando problemas pessoais e familiares, Jardim teria assegurado que não trabalharia em nenhum outro clube brasileiro. Meses depois, a assinatura com o rubro-negro carioca foi vista como uma traição. Pedrinho foi além e revelou o sentimento de ter sido “deixado sozinho” no meio do projeto de reconstrução do clube.
A mudança de tom do dirigente mostra que, passado o risco de contaminar o vestiário antes da final, a diretoria cruzeirense decidiu expor o incômodo e marcar posição diante do mercado.
A “luva de pelica” de Bap
Do outro lado da trincheira, a gestão de crise foi desenhada no manual da política corporativa. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), fugiu do bate-boca e adotou o discurso do “bom vizinho”.
Para esvaziar a polêmica, Bap fez questão de elogiar publicamente a conquista do Cruzeiro, minimizou os ruídos e chamou Pedrinho de “um amigo querido”. O mandatário rubro-negro ainda sinalizou que receberá o dono da SAF mineira muito bem no Rio de Janeiro no próximo reencontro.
O embate verbal expõe duas estratégias distintas no topo da cadeia alimentar do futebol brasileiro. Pedrinho falou como um torcedor com poder financeiro absoluto: usou a autoridade da taça recém-conquistada para expor uma atitude que considerou desleal, mostrando que o Cruzeiro não é refém de discursos sedutores de treinadores.