A imagem tem se repetido nos últimos jogos do Cruzeiro: o time sofre em campo, Tite senta no banco com o semblante calmo (ou abatido), e quem vai para a beira do gramado gritar, gesticular e arrumar o time é o seu filho e auxiliar, Matheus Bachi. O que parecia apenas um “cabide de emprego” ou “terceirização tática” para a torcida irritada, na verdade, tem um pano de fundo muito mais sério.
Segundo apuração do jornalista André Hernan (ESPN), o novo comportamento de Tite está diretamente ligado ao seu processo de recuperação de saúde física e mental. O treinador, que chegou a pausar a carreira antes de assumir a Raposa por estafa, ainda divide o protagonismo para gerenciar sua própria energia.
O Peso da Saúde Mental no Cruzeiro
Quando o Cruzeiro anunciou Tite, o mercado sabia que ele vinha de um longo período sabático para cuidar da mente após o desgaste extremo em trabalhos anteriores. O que não se sabia é que esse “gerenciamento de estresse” continuaria tão forte no dia a dia da Toca. Para não “estourar” novamente, Tite adotou um modelo de comissão técnica onde ele é o “gestor central”, mas a execução (os gritos, as pausas táticas, a beira do campo) fica a cargo de Matheus Bachi.
A “Terceirização” e o Choque de Personalidades
O problema é que o momento do time não ajuda. Com a pior defesa do Brasileirão nas primeiras rodadas, a falta de “sangue” do comandante principal irrita a arquibancada.
- O Conflito: No clássico contra o América-MG, Tite e Matheus chegaram a discutir feio na área técnica. Tite teve que enquadrar o filho por “reclamação excessiva” com o juiz.
- A Confirmação do Elenco: Kaio Jorge já admitiu publicamente que é Matheus quem conduz as conversas táticas e recebe as cobranças dos jogadores no dia a dia.
- Comissão Dividida: A prova desse “comando compartilhado” aconteceu nas últimas coletivas, quando Tite levou o preparador físico Fábio Mahseredjian para responder aos jornalistas, dividindo a pressão dos microfones.