A estreia do Cruzeiro no Brasileirão 2026 terminou em pesadelo no Rio de Janeiro. Após fazer um primeiro tempo competitivo e até superior, o time de Tite sofreu um apagão inexplicável na etapa final e foi goleado por 4 a 0 pelo Botafogo. O placar elástico expôs a fragilidade emocional da equipe, que desmoronou após sofrer o primeiro gol. Na saída de campo, o atacante Kaio Jorge — o único a falar, já que a delegação impôs “lei do silêncio” na zona mista — resumiu o sentimento do vestiário: incredulidade.
“Fomos bem no primeiro tempo, criando chances, e não sei o que ocorreu no segundo tempo. A equipe deixou a desejar e temos de pedir desculpas ao torcedor, mas hoje não aconteceu do jeito que a gente desejava. Agora é trabalhar”, desabafou o jogador, pedindo desculpas à torcida celeste após 10 anos sem perder pro Botafogo no Brasileirão.
A Ilusão do Primeiro Tempo no Cruzeiro
O resultado final esconde o que foram os 45 minutos iniciais. O Cruzeiro teve volume, explorou bem as costas da defesa alvinegra e desperdiçou chances claras com Wanderson e o próprio Kaio Jorge (além de um gol anulado). A Raposa parecia ter o jogo controlado.
Mas futebol pune a ineficiência. Quem não mata, morre.
O Colapso: 4 Gols em 45 Minutos

O cenário mudou drasticamente no retorno do intervalo.
- O Golpe Rápido: Aos 2 minutos do 2º tempo, Danilo abriu o placar. O gol “de vestiário” agiu como um nocaute técnico.
- A Perda do Meio: Para piorar, o Cruzeiro perdeu Gerson (sentindo dores), o que desorganizou o setor de criação e marcação.
- A Porteira Aberta: Sem meio-campo e abalado emocionalmente, o time virou presa fácil para as transições do Botafogo. Danilo (novamente), Matheus Martins e Artur construíram a goleada diante de uma defesa estática.
Pressão em Tite
A goleada não é um evento isolado. Ela se soma à recente virada sofrida no clássico contra o Atlético-MG e a uma estatística incômoda: Tite tem, até o momento, mais derrotas do que vitórias no comando da equipe em 2026. A delegação voltou para Belo Horizonte em silêncio, mas o barulho da crise já é alto na Toca da Raposa.
Análise Moon BH: O Time de Vidro
O Cruzeiro de 2026 sofre de uma síndrome perigosa: tem “queixo de vidro”. Faz bons jogos, controla a bola, mas no primeiro soco que leva (o gol aos 2 minutos), vai à lona e não levanta mais.
Levar 4 a 0 num jogo em que você foi melhor no primeiro tempo não é azar, é falta de competitividade mental. O time sentiu a saída de Gerson? Sentiu. Mas um elenco desse custo não pode depender de um jogador para não ser humilhado. Se Tite não corrigir essa fragilidade emocional “para ontem”, o Brasileirão da Raposa será de sofrimento, porque o campeonato não perdoa quem desiste do jogo quando o placar vira contra.