O futebol brasileiro entrou, oficialmente, em uma nova realidade financeira. Em um intervalo curtíssimo, Flamengo e Cruzeiro protagonizaram as duas maiores operações de compra da história do país, rompendo a barreira dos nove dígitos e estabelecendo uma nova régua para o mercado sul-americano.
Com o retorno de Lucas Paquetá à Gávea e a repatriação de Gerson pela Raposa, os clubes injetaram quase meio bilhão de reais em apenas dois atletas, deixando para trás recordes recentes como os de Vitor Roque (Palmeiras) e Samuel Lino (Flamengo).
Paquetá e os R$ 260 Milhões no Flamengo
O topo do pódio agora pertence ao Flamengo. Para tirar Lucas Paquetá do West Ham, o Rubro-Negro desembolsou € 42 milhões (cerca de R$ 260 milhões).
O valor é tão alto que exigiu uma engenharia financeira específica: o pagamento foi parcelado até 2028. Isso dilui o impacto no caixa imediato, mas cria um compromisso de longo prazo atrelado à variação cambial do euro. É uma aposta de “banco imobiliário”: comprar o terreno mais caro do jogo contando que ele vai valorizar o projeto inteiro.
Gerson e o Pacote de R$ 187 Milhões no Cruzeiro
Logo atrás vem a demonstração de força da SAF do Cruzeiro. A compra de Gerson junto ao Zenit foi fechada em um pacote que pode chegar a € 30 milhões (R$ 187,3 milhões).

A matemática celeste funciona assim:
- Fixo: € 27 milhões (R$ 168,54 milhões).
- Bônus: € 3 milhões (R$ 18,73 milhões) se metas forem atingidas. Mesmo considerando apenas o valor fixo, a operação já superaria antigas marcas históricas, provando que o Cruzeiro de Pedrinho BH entrou no mercado para brigar no “andar de cima”.
O Efeito Dominó no Mercado
Essas duas negociações mudam a dinâmica de preços no Brasil ao valerem juntos quase R$ 450 milhões:
- Inflação Automática: Dirigentes de outros clubes agora usarão essas cifras como parâmetro. “Se o Paquetá vale 42 milhões de euros, meu jogador não sai por menos de 20”. A régua subiu.
- Pressão Esportiva: Quando o investimento vira manchete global, a paciência acaba. Paquetá e Gerson não têm direito a “período de adaptação”. Eles chegam com a obrigação estatística de serem os melhores do campeonato.
Paquetá e Gerson não são apenas reforços; são marcos de uma era. O Flamengo e o Cruzeiro mandaram um recado claro ao continente: o Brasil agora tem poder de fogo para competir com times médios da Europa por talentos de elite.
Mas há um perigo silencioso nessas cifras. Ao parcelar R$ 260 milhões ou assumir bônus milionários, os clubes trocam liquidez futura por desempenho presente. Se a bola entrar e os títulos vierem, o investimento se paga com premiações, sócios e marketing. Se a bola bater na trave, a conta chega pesada em euro, transformando a “maior contratação da história” no “maior problema da folha”. Em 2026, a margem para erro financeiro no Rio e em Belo Horizonte acabou de zerar.