A chegada de Pedro Lourenço (Pedrinho BH) transformou o Cruzeiro. De clube que contava moedas para pagar contas de luz, a Raposa virou potência compradora, ultrapassando a marca de R$ 500 milhões em reforços (incluindo a recente chegada de Gerson). Mas por trás da festa no aeroporto e das manchetes de contratações, existe uma realidade contábil incômoda: o Cruzeiro SAF ainda não se paga.
Os números de 2024 mostram que o clube opera no vermelho. A “máquina” celeste custa mais caro do que a receita que ela gera. Isso cria um cenário de dependência absoluta do acionista majoritário. Hoje, Pedrinho não é apenas um investidor; ele é o “pulmão artificial” que mantém o clube respirando e competindo em alto nível.
O Raio-X do Prejuízo no Cruzeiro: A Conta Não Fecha
Os dados financeiros de 2024 são claros e preocupantes:
- Receita Líquida: R$ 282,7 milhões.
- Despesa Total: R$ 452,6 milhões.
- Déficit (Prejuízo): R$ 169,9 milhões. Traduzindo: para cada R$ 1,00 que entrou no caixa, o Cruzeiro gastou R$ 1,60. Quem cobre essa diferença de quase R$ 170 milhões? O dono. Além disso, a dívida total registrada subiu para R$ 1,31 bilhão (R$ 981 milhões em dívida real ajustada). O clube ainda carrega o peso do passado enquanto tenta viver um presente de luxo.
O Custo da Ambição: R$ 500 Milhões em Reforços

A estratégia de Pedrinho foi agressiva: injetar dinheiro para valorizar o produto.
- Investimento Direto: Cerca de R$ 200 milhões aportados só em 2024.
- Aceleração em 2026: Com Gerson e renovações (Matheus Pereira, Kaio Jorge), o investimento total em elenco bateu meio bilhão. O lado bom é técnico: o time é forte. O lado ruim é estrutural: a folha salarial e as parcelas de compra de jogadores criam uma despesa fixa altíssima (“rígida”), enquanto as receitas (bilheteria, premiação) são voláteis.
O Peso do Passado: A Dívida que Não Morre
Mesmo com a SAF, o Cruzeiro não está livre das contas antigas.
- Recuperação Judicial: Em 2024, a SAF precisou repassar R$ 37,5 milhões para a Associação pagar credores.
- Compra da SAF: Pedrinho ainda tem parcelas da compra do clube para pagar (negócio de R$ 600 milhões, com R$ 350 milhões parcelados em 10 anos). O clube vive um desafio duplo: pagar o passado (RJ e tributos) e financiar o futuro (Gerson e companhia), tudo isso enquanto a operação do dia a dia dá prejuízo.