O Cruzeiro entrou em 2026 mudando drasticamente o seu patamar financeiro e, consequentemente, a régua de cobrança por títulos. Com a contratação recorde de Gerson, a renovação valorizada de Matheus Pereira e a gestão do passivo do empréstimo de Gabigol, a SAF celeste desenhou uma folha salarial com uma concentração de custos inédita na história recente do clube.
Nossos levantamentos de mercado indicam que, somando apenas esses três nomes — sendo que um deles sequer veste a camisa azul nesta temporada —, o custo mensal para os cofres da Raposa pode atingir a marca de R$ 7,3 milhões. Esse valor não apenas explica o tamanho do investimento para a Libertadores, mas também expõe o risco calculado de ter quase um terço do orçamento comprometido com três ativos.
A composição desses valores revela a complexidade da operação cruzeirense. O caso mais curioso é o de Gabigol: emprestado ao Santos, o atacante tem seus vencimentos (estimados em R$ 2,5 milhões totais) divididos. O clube paulista arca com 60%, enquanto o Cruzeiro segue responsável por 40%, o que representa um desembolso mensal de cerca de R$ 1 milhão para um atleta que joga no rival.
Somado a isso, Gerson chega com status de maior salário do elenco (estimado acima de R$ 3 milhões entre carteira, imagem e luvas) e Matheus Pereira, com sua renovação até 2028, salta para o segundo posto, com vencimentos projetados na casa dos R$ 2,5 milhões.
A Matemática da Folha do Cruzeiro: O Peso de Três Nomes

Para entender o impacto no orçamento, é preciso colocar os números na ponta do lápis, trabalhando com as estimativas de mercado mais realistas para o cenário de 2026:
- Gerson: O “Coringa” custa cerca de R$ 3,5 milhões/mês (pacote completo).
- Matheus Pereira: A valorização o coloca no patamar de R$ 2,5 milhões/mês.
- Gabigol: A “fatia” paga pelo Cruzeiro gira em torno de R$ 1,0 milhão a R$ 1,3 milhão/mês. Total: Entre R$ 7,0 e R$ 7,3 milhões mensais. Se a folha total do futebol do Cruzeiro gira em torno de R$ 20 a R$ 25 milhões (como projetado pela SAF para um ano de alta competitividade), isso significa que três jogadores consomem cerca de 30% a 35% de todo o dinheiro destinado aos salários do elenco.
O Custo do “Erro” e o Preço do “Acerto”
Essa conta reflete dois movimentos distintos da gestão. O custo de Gabigol é o preço de um “erro” de planejamento anterior ou de uma aposta que exigiu correção de rota (o empréstimo), virando uma despesa sem retorno esportivo imediato, mas necessária para aliviar o ambiente. Já Gerson e Matheus Pereira representam o preço do “acerto” e da ambição.
Para brigar com Flamengo e Palmeiras na Libertadores, o Cruzeiro precisou inflacionar sua folha e pagar valores de mercado europeu. Ter dois dos melhores meias do continente custa caro, e a SAF decidiu que esse é um preço que vale a pena pagar para voltar a ser protagonista.