O Cruzeiro adotou uma postura de mercado que reflete os novos tempos na Toca da Raposa: vender, só se for irrecusável. A diretoria celeste rejeitou a primeira proposta oficial do Como, da Itália, pelo lateral-esquerdo Kaiki Bruno. Mais do que um simples “não”, a recusa veio acompanhada de um recado financeiro claro: o clube fixou um piso de negociação na casa dos € 10 milhões (cerca de R$ 62 milhões) e sinalizou internamente que só aceita conversar por valores “muito vantajosos”, que podem até superar essa barreira inicial.
A decisão de segurar o jogador de 22 anos atende a um pedido direto do técnico Tite, que solicitou a manutenção da espinha dorsal do elenco de 2025 para entrar forte nas competições de 2026.
O interesse do clube italiano não foi superficial. Representantes do Como estiveram em Belo Horizonte em dezembro e observaram Kaiki in loco no Mineirão, durante o empate em 2 a 2 contra o Botafogo. No entanto, a SAF do Cruzeiro entende que o lateral não é uma peça de reposição ou uma aposta para fazer caixa rápido.
Com contrato renovado até o fim de 2027 e vindo de uma temporada de consolidação com 51 jogos, Kaiki virou pilar do time. A estratégia da direção é clara: ao recusar a primeira oferta e estabelecer um preço alto, o Cruzeiro deixa de ser um “vendedor de oportunidade” e passa a ditar o ritmo do negócio.
O Recado ao Mercado: A Régua Subiu
Ao dizer “não” ao Como e fixar o piso em R$ 62 milhões, o Cruzeiro manda uma mensagem para outros interessados — como Porto, Zenit e times da MLS que sondaram o atleta. A lógica é simples:

- Não há liquidação: O Cruzeiro não vai aceitar propostas baixas ou fatiadas.
- Valorização: Se quiserem levar um titular de 22 anos, terão que pagar preço de “transferência grande”, possivelmente buscando os € 15 milhões que circulam nos bastidores como o “número mágico”.
- Controle: O clube mineiro retomou a autonomia sobre seus ativos. Kaiki só sai se o Cruzeiro quiser, e pelo preço que o Cruzeiro mandar.
Análise Moon BH: Respeito se Compra com “Não”
O Cruzeiro está comprando algo que não aparece na planilha financeira: respeito de mercado. Durante anos, clubes europeus (e até brasileiros) viam a Raposa como um balcão de negócios desesperado. Ao recusar a primeira investida de um time da Série A italiana por um lateral jovem, a SAF muda a hierarquia.
O Cruzeiro deixa de ser o “vendedor inevitável” para ser o dono do próprio destino. Se o Como quiser Kaiki, vai ter que abrir o cofre de verdade. E se não abrir, melhor para Tite, que mantém um dos melhores laterais do país em seu elenco. É o tipo de “não” que vale tanto quanto um título de pré-temporada.